Última hora

Última hora

Áustria: Nacionalista Norbert Hofer recusa rótulo de extrema-direita e partido aponta à chancelaria

O candidato derrotado nas presidenciais da Áustria, o nacionalista Norbert Hofer, analisou esta terça-feira os resultados das eleições de domingo com o líder do Partido da Liberdade (FPO), Heinz-Chris

Em leitura:

Áustria: Nacionalista Norbert Hofer recusa rótulo de extrema-direita e partido aponta à chancelaria

Tamanho do texto Aa Aa

O candidato derrotado nas presidenciais da Áustria, o nacionalista Norbert Hofer, analisou esta terça-feira os resultados das eleições de domingo com o líder do Partido da Liberdade (FPO), Heinz-Christian Strache. Os dois sublinharam a vitória moral pelos quase 50 por cento de votos conseguidos, num escrutínio com mais de 70 por cento de participação entre 6,4 milhões de eleitores.

allviews Created with Sketch. Point of view

"Não é fácil perder por alguns milhares de votos."

Norbert Hofer Candidato derrotado

Conotado com a extrema-direita austríaca e até com certos ideais nazis, a estratégia do FPO parece passar agora por se distanciar dessa categorização e aproximar-se mais do centro. Pelo menos, isso ficou numa conferência de imprensa de Hofer, em pleno parlamento de Viena quando afirmou, sem rodeios, “o FPO não é um partido de extrema-direita.”

(“Toda a Europa respirou de alívio”,
MNE alemão Frank-Walter Steinmeier sobre eleições na Áustria.)

O também 3.° presidente da Assembleia Nacional (a câmara baixa do parlamento austríaco) lembrou que foi candidato “pelo FPO” e defendeu que se um partido de extrema-direita se tivesse candidatado a eleições na Áustria, não teria mais do que dois por cento dos votos”. “A percentagem de loucos na Áustria não é, certamente, superior a isso”, atirou, suportado num resultado alcançado nestas presidenciais de 49,7 por cento dos votos.

Aos camaradas que ficaram frustrados pela derrota, Hofer pediu calma. “Não cometam o erro de se atacarem uns aos outros. Somos todos austríacos e há lugar para muitas opiniões na Áustria”, afirmou, considerando que o vencedor, Alexander van der Bellen, vai ter uma tarefa difícil.

“Não é fácil perder por alguns milhares de votos. Mas também não é fácil ser presidente com tão poucos votos a mais. É preciso ser-se Presidente de todos os austríacos e convencer esta outra grande metade da Áustria vai ser uma tarefa muito difícil”, anteviu. Ainda assim, Hofer saudou o novo Presidente e desejou-lhe felicidade nas novas funções.

Líder do FPO aponta à chancelaria

O líder do FPO, por seu turno, salientou a ascensão do partido. “Somos, hoje, mais fortes que nunca”, assumiu (publicação de Facebook em baixo). Somos o novo centro da sociedade. Conseguimos uma importante vitória contra todo o sistema esclerosado e vamos preparar-nos para os próximos sucessos eleitorais”, lançou Heinz-Christian Strache, já a apontar baterias às legislativas de 2018, nas quais o FPO agora acredita poder conquistar a chancelaria.

Alexander van der Bellen ganhou domingo, à segunda volta, as eleições presidenciais austríacas, com 72,7 por cento de participação entre 6,4 milhões de eleitores. Economista de 72 anos e apoiado pelos Verdes, partido ecologista de que chegou a ser líder, o novo chefe de Estado austríaco conseguiu 50,3 por cento dos votos.

Os resultados vão ser oficializados no dia 1 de junho pelo Ministério do Interior austríaco. O FPO está em curso de averiguação sobre eventuais irregularidades e poderá avançar com uma contestação, mas apenas após a oficialização dos resultados. A tomada de posse de Van der Bellen foi, entretanto, marcada para 8 de junho pelo Presidente cessante, Heinz Fischer. Os dois, por fim, também se reuniram esta terça-feira para iniciar o processo de passagem de testemunho.