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Ken Loach critica austeridade em Portugal ao receber a Palma de Ouro em Cannes

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Ken Loach critica austeridade em Portugal ao receber a Palma de Ouro em Cannes

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Ao receber a Palma de Ouro, este domingo, em Cannes, o realizador inglês Ken Loach criticou as políticas de austeridade na Europa, nomeadamente, em Portugal, na Grécia e em Espanha.

“Vivemos um momento perigoso na Europa. A austeridade e as políticas neoliberais conduzem as pessoas ao desespero. Milhões de pessoas na Grécia, em Portugal ou em Espanha sofrem e vivem grandes dificuldades enquanto uma pequena elite no topo é extremamente rica. Não podemos continuar assim porque há um grande desespero na base”, afirmou o realizador.

Aos 80 anos, é a segunda vez que Ken Loach recebe a recompensa máxima do maior festival de cinema do mundo. O filme premiado, “I, Daniel Blake”, conta a história de um carpinteiro de 59 anos a quem é diagnosticado um problema cardíaco. Os médicos aconselham-no a parar de trabalhar mas a Segurança Social ameaça-o com sanções financeiras se ele não encontrar um emprego.

A atriz filipina Jaclyn Rose venceu o prémio para melhor interpretação feminina. O filme do realizador filipino Brillante Mendoza desenrola-se num bairro pobre de Manila.

“Ma’ Rosa” conta a história de um mãe de quatro filhos que vende droga para sustentar a família até ao dia em que é presa.

“Depois deste prémio, muita gente vai ver o filme e o presidente do país vai também querer vê-lo, vai ficar interessado e espero que faça alguma coisa para mudar a situação”, disse a atriz filipina.

O mais recente filme do realizador iraniano Asghar Farhadi arrecadou dois prémios: melhor argumento e melhor interpretação masculina para o ator Shahab Hosseini.

“Para mim, a escrita e a interpretação são dois lados do cinema. É a minha forma de trabalhar. Quando escrevo, já estou a realizar, é a melhor definição de cinema que encontrei”, disse Asghar Farhadi.

Desta vez, o autor de “Uma separação” conta a história de um casal de Teerão obrigado a mudar de casa. Uma mudança complicada que se torna ainda mais difícil quando o casal é agredido.

O realizador romeno Cristian Mungiu venceu o prémio para melhor encenação, uma distinção partilhada com o realizador francês Olivier Assayas. É a segunda vez que Mungiu é premiado em Cannes depois de ter recebido a Palma de ouro em 2007 pelo filme “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”

“É muito difícil fazer pequenas produções, filmes que não são filmados em inglês, filmes com legendas que não são filmes comerciais. É difícil encontrar um lugar no mundo do cinema. Penso que é preciso apostar na educação e certas instituições podem desempenhar um papel importante. O Festival de Cannes tem a autoridade necessária para promover os autores de cinema e preservar a diversidade”, sublinhou Cristian Mungiu.

O novo filme do realizador romeno conta a história de um médico, numa pequena cidade da Transilvânia, que sonha com um futuro brilhante para a filha. Mas a filha não tem as mesmas ambições que o pai.

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