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Venezuela vive escassez de medicamentos sem precedentes

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De  Antonio Oliveira E Silva  com EFE, REUTERS,
Venezuela vive escassez de medicamentos sem precedentes

<p>A Venezuela está sem medicamentos. O abastecimento está longe de satisfazer as necessidades básicas no serviço público de saúde e os medicamentos que o Governo venezuelano tem comprado para compensar a escassez de recursos a países como Cuba, Brasil, China ou Índia, pecam, em grande parte dos casos, por falta de qualidade.</p> <p>Quem o diz são as diferentes ordens profissionais relacionadas com a saúde e com o medicamento naquele país sul-americano, como a Federação Médica da Venezuela ou a Federação Farmacêutica da Venezuela (Fefarven).</p> <p>No passado mês de abril, o presidente da Federação Médica da Venezuela, Douglas León Natera, disse que o país vive uma escassez na ordem dos 94% e referiu-se à situação como “uma calamidade” e um “verdadeiro holocausto na saúde.” León Natera acusou ainda o Governo de Nicolás Maduro de ignorar os vários e insistentes alertas anteriomente lançados pelos profissionais de saúde venezuelanos. O bastonário relembrou ainda, durante uma conferência de imprensa, que estava a ser muito difícil atender a casos de pacientes com doenças crónicas. Referia-se a pacientes diabéticos, a doentes com cancro ou a doentes hemofílicos. </p> <p>Adelson Belen é um caso de um paciente hemofílico sem dinheiro para se abastecer no mercado negro, uma das alternativas à escassez, pois os preços são proibitivos para grande parte da população venezuelana. Belen não poupa críticas ao governo de Maduro. </p> <p>“Eles andam a comprar aviões, mas não compram medicamentos. Com o dinheiro gasto em aviões poderiam ter resolvido a crise dos medicamentos na venezuela”, disse Adelson, em entrevista à agência Reuters.</p> <p>“Havia dólares disponíveis para isso, mas, uma vez que continuamos a sofrer com falta de comida e de medicamentos, não me parece que estejam a conseguir encontrar soluções”, concluiu. </p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="es" dir="ltr">Persiste la <a href="https://twitter.com/hashtag/escasez?src=hash">#escasez</a> de medicamentos en el país <a href="https://twitter.com/hashtag/Venezuela?src=hash">#Venezuela</a> <a href="https://t.co/QkLmbF2Hjc">https://t.co/QkLmbF2Hjc</a></p>— El Universal (@ElUniversal) <a href="https://twitter.com/ElUniversal/status/734930717612859393">24 de maio de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>A Federação Farmacêutica da Venezuela (Fefarven) calcula, por seu lado, que a escassez de medicamentos se situe na ordem dos 80% e alerta para o facto de que o país Latino-americano e um dos maiores produtores de petróleo do planeta, possa vir a sofrer uma verdadeira crise humanitária. </p> <div style="background-color:#e8e8e8; font-size:12px; padding:8px;border-radius:8px;"> <p> <strong>O presidente da Fefarven, Freddy Ceballos disse, dia 25 de abril, em entrevista ao canal de televisão privado <span class="caps">TELEVEN</span>, que a dívida da Venezuela com o setor farmacêutico internacional seria de 4 mil milhões de dólares norte-americanos (superior a 3.600 milhões de euros).</strong> </p> </div> <p>Em março, a Federação Farmacêutica da Veenzuela (Fefarven) já tinha alertado para a situação de emergência que se vive no país.</p> <p>Os farmacêuticos insistiam em que era importante reabrir farmácias e reativar a produção de vários medicamentos, para que diminua a sua procura no mercado negro e para que as pessoas mais carenciadas possam ter acesso a determinado tipo de tratamentos. Mas, o mais importante, disse a Fefarven, seria que o Governo venezuelano pagasse aos fornecedores estrangeiros. </p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="es" dir="ltr"><span class="caps">CLAP</span> distribuirán productos de limpieza y medicamentos <a href="https://t.co/3fm5Z0clAK">https://t.co/3fm5Z0clAK</a> <a href="https://t.co/Xpk3HEzjLf">pic.twitter.com/Xpk3HEzjLf</a></p>— Noticiero Venevisión (@noticierovv) <a href="https://twitter.com/noticierovv/status/731046399203147777">13 de maio de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <div style="background-color:#e8e8e8; font-size:12px; padding:8px;border-radius:8px;"> <p> <strong>A crise dos medicamentos na Venezuela é apenas uma das muitas facetas que assume a profunda crise económica, social e política que tem castigado o país depois da descida do preço do petróleo em 2014.</strong> </p> </div> <p>Em novembro de 2015, a Fefarven anunciou que as farmácias tinham começado a produzir medicamentos para as crianças por causa da escassez. Yolanda Carrasquel, vice-presidente da Fevarven, explicou na altura ao diário venezuelano El Tiempo que os médicos tinham optado por mandar preparar antibióticos e antiestamínicos, que deixaram de ser produzidos no país por falta de divisas.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="es" dir="ltr">Hay industrias que desde el año pasado no recibe divisas para importar insumos</p>— Fefarven (@fefarven) <a href="https://twitter.com/fefarven/status/732732419355381760">18 de maio de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>E a verdade é que há cada vez mais crianças sem acessos a cuidados básicos de saúde, em muitos casos, porque os pais deixaram de conseguir pagar os medicamentos, seja porque deixaram de trabalhar, seja pelos referidos preços praticados no mercado paralelo. </p> <p>Paolo Marquez tem oito anos e sofre de leucemia. A sua mãe tem, como a maioria das mães venezuelanas, duas opções: pode aceitar um tratamento de má qualidade proposto pelo serviço de saúde venezuelano ou pode aventurar-se no mercado negro.</p> <p>“Não temos cá nada e temos de ir a outros países para comprar medicamentos e isso fica muito caro. Infelizmente, é a nossa realidade, as coisas estão muito mal,” disse a mãe de Paolo à Reuters.</p>