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Venezuela vive escassez de medicamentos sem precedentes

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Venezuela vive escassez de medicamentos sem precedentes

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A Venezuela está sem medicamentos. O abastecimento está longe de satisfazer as necessidades básicas no serviço público de saúde e os medicamentos que o Governo venezuelano tem comprado para compensar a escassez de recursos a países como Cuba, Brasil, China ou Índia, pecam, em grande parte dos casos, por falta de qualidade.

Quem o diz são as diferentes ordens profissionais relacionadas com a saúde e com o medicamento naquele país sul-americano, como a Federação Médica da Venezuela ou a Federação Farmacêutica da Venezuela (Fefarven).

No passado mês de abril, o presidente da Federação Médica da Venezuela, Douglas León Natera, disse que o país vive uma escassez na ordem dos 94% e referiu-se à situação como “uma calamidade” e um “verdadeiro holocausto na saúde.” León Natera acusou ainda o Governo de Nicolás Maduro de ignorar os vários e insistentes alertas anteriomente lançados pelos profissionais de saúde venezuelanos. O bastonário relembrou ainda, durante uma conferência de imprensa, que estava a ser muito difícil atender a casos de pacientes com doenças crónicas. Referia-se a pacientes diabéticos, a doentes com cancro ou a doentes hemofílicos.

Adelson Belen é um caso de um paciente hemofílico sem dinheiro para se abastecer no mercado negro, uma das alternativas à escassez, pois os preços são proibitivos para grande parte da população venezuelana. Belen não poupa críticas ao governo de Maduro.

“Eles andam a comprar aviões, mas não compram medicamentos. Com o dinheiro gasto em aviões poderiam ter resolvido a crise dos medicamentos na venezuela”, disse Adelson, em entrevista à agência Reuters.

“Havia dólares disponíveis para isso, mas, uma vez que continuamos a sofrer com falta de comida e de medicamentos, não me parece que estejam a conseguir encontrar soluções”, concluiu.

A Federação Farmacêutica da Venezuela (Fefarven) calcula, por seu lado, que a escassez de medicamentos se situe na ordem dos 80% e alerta para o facto de que o país Latino-americano e um dos maiores produtores de petróleo do planeta, possa vir a sofrer uma verdadeira crise humanitária.

O presidente da Fefarven, Freddy Ceballos disse, dia 25 de abril, em entrevista ao canal de televisão privado TELEVEN, que a dívida da Venezuela com o setor farmacêutico internacional seria de 4 mil milhões de dólares norte-americanos (superior a 3.600 milhões de euros).

Em março, a Federação Farmacêutica da Veenzuela (Fefarven) já tinha alertado para a situação de emergência que se vive no país.

Os farmacêuticos insistiam em que era importante reabrir farmácias e reativar a produção de vários medicamentos, para que diminua a sua procura no mercado negro e para que as pessoas mais carenciadas possam ter acesso a determinado tipo de tratamentos. Mas, o mais importante, disse a Fefarven, seria que o Governo venezuelano pagasse aos fornecedores estrangeiros.

A crise dos medicamentos na Venezuela é apenas uma das muitas facetas que assume a profunda crise económica, social e política que tem castigado o país depois da descida do preço do petróleo em 2014.

Em novembro de 2015, a Fefarven anunciou que as farmácias tinham começado a produzir medicamentos para as crianças por causa da escassez. Yolanda Carrasquel, vice-presidente da Fevarven, explicou na altura ao diário venezuelano El Tiempo que os médicos tinham optado por mandar preparar antibióticos e antiestamínicos, que deixaram de ser produzidos no país por falta de divisas.

E a verdade é que há cada vez mais crianças sem acessos a cuidados básicos de saúde, em muitos casos, porque os pais deixaram de conseguir pagar os medicamentos, seja porque deixaram de trabalhar, seja pelos referidos preços praticados no mercado paralelo.

Paolo Marquez tem oito anos e sofre de leucemia. A sua mãe tem, como a maioria das mães venezuelanas, duas opções: pode aceitar um tratamento de má qualidade proposto pelo serviço de saúde venezuelano ou pode aventurar-se no mercado negro.

“Não temos cá nada e temos de ir a outros países para comprar medicamentos e isso fica muito caro. Infelizmente, é a nossa realidade, as coisas estão muito mal,” disse a mãe de Paolo à Reuters.

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