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Milhões de muçulmanos celebram o Ramadão

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Milhões de muçulmanos celebram o Ramadão

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Milhões de muçulmanos em todo o mundo já começaram a celebrar o Ramadão.

O que é o Ramadão?

É o mês durante o qual os muçulmanos praticam o seu jejum.

O jejum é obrigatório a todos os muçulmanos que chegam à puberdade e constitui um momento importante na sua vida, sedo uma marca simbólica de entrada na vida adulta.

O ritual é observado durante todo o mês, da alvorada ao pôr-do-sol, o jejum também se aplica às relações sexuais.

O muçulmano deve não só abster-se dessas práticas como também não pensar nelas e manter-se concentrado em suas oraçõesa Allah. Nste mês aumenta a frequência das mesquitas.

Além das cinco orações diárias (salá), durante esse mês sagrado recita-se uma oração especial chamada Taraweeh (oração noturna).

O praticante deve abster-se de tudo que vai contra a moral, pois o jejum é visto como uma grande prática de disciplina e da doutrina, tanto espiritual como moral.

A ação não se limita somente à abstinência de comer ou beber, mas também de todas as coisas más, maus pensamentos ou maus atos.

A palavra Ramadão encontra-se relacionada com a palavra árabe ramida, “ser ardente”, possivelmente pelo facto do Islão ter celebrado este jejum pela primeira vez no período mais quente do ano. É um tempo de renovação da fé, da prática mais intensa da caridade, e vivência profunda da fraternidade e dos valores da vida familiar. Segundo a crença muçulmana, este nono mês, de acordo com o calendário lunar, representa o período em que foi revelado o Alcorão, livro sagrado do Islão.

Sexo durante o Ramadão?

A sodomia é pecado? O casamento temporário é uma solução para masturbação? É lícito o contato físico durante o Ramadão? Resolver estas dúvidas explícitas e delicadas no Irão é uma tarefa imposta aos aiatolás, cujos aposentos recebem milhares de pessoas para conciliar a lei islâmica com a vida diária.

O alto clero xiita, que desde a Revolução Islâmica de 1979 maneja as estruturas do poder no país, tem a última palavra sobre as normas legais e morais e dirige também uma ampla rede de consultórios sobre a sharia (lei islâmica).

Esses espaços foram idealizados para solucionar os conflitos que a rigidez da legislação causa aos cidadãos.

Dezenas de publicações e páginas na internet, além de encontros públicos em centros sociais e mesquitas, servem aos aiatolás – título hierárquico que autoriza o seu possuidor a emitir sentenças e criar jurisprudência sob a sharia – e aos seus ajudantes para tirar estas dúvidas.

Nas consultas, que abrangem todos os aspetos da vida social, têm uma presença muito importante as práticas relacionadas com a vida íntima e sexual dos iranianos preocupados em viver sob estritos critérios islâmicos. No Irão, um país onde se exerce uma estrita segregação por sexo desde o primeiro grau escolar, surpreende ver as mulheres tirar dúvidas mais privadas com os clérigos para encontrar uma solução para os seus desejos sem cometer pecado. Precisamente, e para permitir estas e outras consultas, os clérigos xiitas são considerados “mahram” para as mulheres, ou seja, pessoas de sexo oposto com as quais se pode ter contato direto, algo que geralmente está limitado a pais, irmãos e maridos.

Uma das vantagens ou inconvenientes do sistema é que cada aiatolá pode, e em várias ocasiões, consultar de distintas maneiras os colegas sobre um tema concreto, o que pode gerar confusão em alguns casos e aliviar consciências em outros.

Práticas sexuais como a sodomia é uma das dúvidas mais apresentadas pelos iranianos, e para ela há uma ampla diversidade de opiniões entre o clero xiita. Deste modo, há os que a consideram estritamente “haram” ou proibida pela lei islâmica, enquanto outros como o próprio Khamenei apontam que é algo permitido sempre e quando o casal estiver de acordo.

Já o destacado grande aiatolá Makarem Shirazi a considera “indesejável” e recomenda não praticá-la “por precaução necessária”, embora não seja “haram”.

Apesar de grande parte das respostas estarem cheias de bom senso e, em algumas ocasiões, de recomendações para procurar ajuda médica ou psiquiátrica, outras por outro lado estão infestadas de complexas interpretações religiosas que levam a soluções um tanto complicads para o não iniciado. Como exemplo, o líder supremo tranquilizou os crentes que queiram tocar em seus companheiros durante o mês sagrado do Ramadão, no qual o sexo é proibido, e afirmou em um de seus livros que trata-se de algo “lícito” sempre que não haja ejaculação.

Do mesmo modo, uma pessoa pode beijar qualquer parte do seu companheiro, mas com a ressalva de que essa parte não esteja húmida por nenhum motivo.

Em outra interpretação um tanto confusa para o leigo, o grande aiatolá iraquiano Ali Sistani autorizou as relações sexuais durante o Ramadão, sempre e quando a penetração não vá além do prepúcio e não haja ejaculação. Euronews/EFE

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