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Pierre Moscovici: "Defendo reformas que reconciliem os cidadãos com a Europa"

A redação de Bruxelas

Pierre Moscovici: "Defendo reformas que reconciliem os cidadãos com a Europa"

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A crise financeira e económica e a sua gestão pela União Europeia, as reformas estruturais com altos custos sociais, e as consequências do referendo no Reino Unido foram as questões centrais na entrevista ao comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, levada a cabo pelo editor-chefe da delegação da euronews em Bruxelas, Frédéric Bouchard.

Frédéric Bouchard/euronews (FB/euronews): “Comissário Moscovici, no seu discurso no Fórum Económico de Bruxelas, mencionou a necessidade de reformas estruturais, mas, também, a necessidade de as explicar melhor aos cidadãos europeus. Isso significa que tal não foi feito corretamente no passado, tendo em conta o que se passa em alguns países, nomeadamente em França, neste momento?”

Pierre Moscovici/Comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros (PM/comissário europeu): “A Europa acabou de atravessar a sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial. E, neste contexto – de défice elevado, de dívida explosiva, de estruturas económicas que precisavam de ser mais competitivas – foram feitas as reformas que eram necessárias: reforma das pensões e do mercado de trabalho, que a maioria dos países precisam de realizar. Mas as reformas também têm um custo: um custo económico, no curto prazo, e um custo social e político, como o aumento do populismo. E é por isso que agora defendo o que chamo de reformas de segunda geração. Isto é, reformas que são capazes de reconciliar os cidadãos com a Europa, que sejam apropriadas pelas populações. Quero insistir que, agora que a crise passou, temos de reparar os danos, mas também passar para uma nova etapa de forte recuperação. Devemos insistir na educação, no que chamo de capital humano, que é o que permite ser forte no mercado de trabalho. Isso significa não apenas a educação primária e universitária, mas também ao longo da vida. A formação deve ser a grande aposta, mas também a inovação, a investigação e desenvolvimento: tudo o que permita criar uma economia de futuro, e também um maior investimento em infraestruturas. Acredito que, hoje, uma das principais tarefas a fazer é reconciliar a economia com a sociedade e a política, de modo a que os europeus se possam orgulhar das suas reformas”.

FB/euronews: “Fala de reconciliar a economia com a sociedade, mas quando vemos a reforma da lei do trabalho em França, que está aquém do que foi feito noutros países, e vemos a reação das pessoas na rua, não sente que a França é um país que tem dificuldades em se reformar?”

PM/comissário europeu: “Esse país é capaz de se reformar, mas tal tem de ser feito tendo em conta a sua estrutura social e política, as reformas têm de ser bem preparadas. Não podemos fazer as mesmas reformas políticas e sociais da mesma maneira, em todos os países, sejam grandes ou pequenos. Deve considerar-se cada identidade nacional e, por isso, nem sempre as reformas podem ser feitas da mesma forma. Mas no caso da reforma do mercado trabalho, sou muito claro, ela é necessária e deve ser ambiciosa porque, caso contrário, temos sempre as mesmas pessoas com emprego e todos os outros fora do sistema. Se queremos ter desemprego em massa para a eternidade não vamos mudar nada. Mas se queremos criar postos de trabalho, isso exige reformas”.

FB/euronews: “Outro evento importante é o referendo sobre a permanência da Grã-Bretanha na União Europeia, daqui a duas semanas. Por enquanto, as sondagens mostram um empate técnico. Imagino que a Comissão Europeia esteja preparada para o pior. Já há um plano?”

PM/comissário europeu: “São tantos os interesses partilhados pelos europeus e pelos britânicos que não estamos a trabalhar noutro cenário. Logo veremos o que acontece no dia seguinte.”

FB/euronews: “Não posso crer que a Comissão Europeia não tenha um plano para o pior, que não se prepare para o caso de o “não” vencer e a Grã-Bretanha decida sair da União Europeia?”

PM/comissário europeu: “Ninguém pode prever cientificamente o que vai acontecer no dia seguinte. A política tem a sua própria dinâmica e não sabemos o que vai acontecer. Quando nos pomos na pele de eleitor colocamos uma questão muito simples: o que é melhor para o meu país e para mim? E nunca vi ninguém demonstrar que, economicamente, sair da União Europeia seja algo positivo. Pelo contrário, todos puderam ver o que as principais instituições internacionais têm mostrado sobre os graves riscos económicos dessa saída. Temos de exorcizar isso e penso que os eleitores britânicos, independentemente dos seus sentimentos, das suas emoções, vão acabar por ser sensatos”.

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