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Massacre de Orlando: No Afeganistão estas são tragédias diárias

O Afeganistão, através do chefe-executivo do governo, condenou o ataque da madrugada de sábado para domingo, em Orlando, nos Estados Unidos, onde um norte-americano descendente de afegãos matou a tiro

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Massacre de Orlando: No Afeganistão estas são tragédias diárias

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O Afeganistão, através do chefe-executivo do governo, condenou o ataque da madrugada de sábado para domingo, em Orlando, nos Estados Unidos, onde um norte-americano descendente de afegãos matou a tiro 49 pessoas e também ele acabou morto pelas autoridades, deixando feridas mais de meia centena de pessoas.

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"Este ataque mostra uma vez mais ao mundo os atentados terroristas que os afegãos sofrem todos os dias. Já pagámos um grande sacrifício por isso."

Abdullah Abdullah Chefe-executivo do Afeganistão
(Abdullah endereça condolências aos Estados Unidos pelo tiroteio mortal em Orlando.)

 

600 civis mortos entre janeiro e março

Um relatório da UNAMA, a missão de assistência das Nações Unidas no Afeganistão, documentou a morte de pelo menos 600 civis e mais de 1300 feridos só nos primeiros 3 meses deste ano. Este é um levantamento regular das vítimas de diversas ações violentas — sobretudo confrontos terrestres, mas também explosivos artesanais ou ataques suicidas — relacionadas com o conflito em curso no país, nomeadamente contra os talibãs.


Fonte: Relatório da UNAMA de 17 de abril

Abdullah Abdullah, o porta-voz do governo de Cabul, na reação ao sucedido este fim de semana na Florida, condenou o ataque de Omar Mateen e considerou-o “um crime”, mas lembrou que o “terrorismo não conhece religiões, fronteiras ou etnias” e que este tipo de eventos sangrentos são tragédias de todos os dias no Afeganistão.

“Este ataque mostra uma vez mais ao mundo os atentados terroristas que os afegãos sofrem todos os dias. Já pagámos um grande sacrifício por isso. Agradecemos aos Estados Unidos e à comunidade internacional o apoio que nos dão no combate ao terrorismo”, afirmou o chefe-executivo do Governo afegão, coincluindo: “Partilhamos a dor do povo americano, hoje em luto, em resultado deste ataque terrorista.”

O Presidente e número 1 do Governo do Afeganistão também condenou “de forma inequívoca” o ataque de Orlando. “Nada pode justificar a matança de inocentes”, afirmou Ashraf Ghani, citado pela televisõ afegã TOLONews.

(Presidente Ashraf Ghani condena tiroteio nos Estados Unidos.)

Omar Mateen renegado pelos afegãos

Nas ruas da capital, Cabul, os afegãos mostram-se, entretanto, a par do sucedido em Orlando, mas defendem que o alegado assassino, Omar MAteen, de 29 anos, embora descendente de emigrantes afegãos e muçulmano, não representa o país nem o Islão.

“O assassino nasceu nos Estados Unidos e cresceu com a cultura americana. Era norte-americano e, por isso, ele não representa o Afeganistão”, afirmou Zarif Ullah, estudante universitário. Outro universitário, também residente em Cabul, considera o sucedido em Orlando “uma ação extremista” e sublinha: “o radicalismo está banido do Islão”. “Não é permitido no islamismo matar uma alma inocente”, defende Meer Massih Amarkhil.