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Irão e Ocidente na ponte musical de Darya Dadva em Paris

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Irão e Ocidente na ponte musical de Darya Dadva em Paris

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Darya Dadvar é uma das sopranos iranianas mais realizadas em termos profissionais.
A cantora vive em Paris e actuou na capital francesa com a orquestra filarmónica de Paris-Este (Bahar).

Darya Dadvar imprime à sua música um estilo único: grande parte do repertório são velhas canções do folclore iraniano com arranjos de estilo europeu clássico. A habilidade para fazer a ponte entre a música tradicional iraniana e estilos como o barroco, jazz e blues, valeu-lhe um público de vários quadrantes culturais.

Darya explicou à euronews a naturalidade com que esta mistura inusitada se deu: “As minhas raízes são muito fortes em mim. Cresci com estas canções persas. Quando ouço uma música europeia, faz-me lembrar uma canção persa específica, ou o contrário, elas misturam-se subconscientemente.”

Trocou o Irão pela França há 25 anos para estudar medicina, mas a vocação musical não a deixou seguir o objectivo inicial e depressa começou os estudos em música.

O primeiro diploma, em treino vocal e com medalha de ouro, chegou em 1999. Do Conservatório Nacional de Toulouse, um ano depois, obtém o diploma, para além de uma especialização em Estilo Barroco.

Em 2001 muda-se para Paris e inicia aí a carreira como soprano. Uma das suas mais marcantes actuaçãoes foi no Irão, no papel de Tahmineh, da tragédia Rostam & Sorhâb. Foi a primeira vez, depois de 24 anos de revolução Islâmica no Irão, que uma mulher deste país actuou em palco como solista.

A música é a linguagem global e não conhece quaisquer fronteiras, algo que Darya provou largamente, ao cantar em 12 Línguas diferentes. Essa é, provavelmente, uma das razões pela qual pessoas de diferentes nacionalidades vieram ao concerto dela hoje.

Sobre isto, diz-nos: “Verdadeiramente, a música não reconhece fronteiras. Por exemplo, quando canto na Alemanha, o público aprecia tanto quando canto em Persa ou em Francês. Depressa percebemos que não é a Língua o meio de comunicação, mas sim o sentimento. Como as minhas canções nascem do coração, estão a ligar-se ao coração do público. A energia que me chega da audiência faz esta ligação possível.”

Para Darya, – com uma voz soprano tão poderosa e que começou a carreira numa ópera – cantar como solista em orquestras sinfónicas grandes teria sido a escolha natural. Optou, contudo, por um caminho mais desafiante: o de experimentar integrar a música persa e a ocidental numa unidade só.

“Tomei a decisão de não ser cantora lírica que apenas interpreta o trabalho dos outros com uma grande dose de auto-consciência. Depois de dois meses como solista no Teatro Imperial de Compiègne concluí que queria trabalhar sozinha. Tinha qualquer coisa a dizer, arrisquei e gostei mesmo muito”, conta a cantora sobre o início de um trilhar exclusivo.

Uma das músicas novas tocada neste concerto foi uma peça sobre um poema nostálgico persa, chamado Kucheh (o Beco).

O conhecido compositor iraniano Mehrdad Baran recorda o momento em que teve a ideia de compor uma música para este poema: “Quando percebi que o poema Kucheh tem um grande potencial para a visualização, fiz uma peça musical específica para cada imagem visualizada neste poema. Não o contrário, em que um compositor encaixaria um poema numa melodia anterior.”

Para além da música, Darya Dadvar tem também um diploma da Escola de Belas Artes de Toulouse. Apaixonada pela arte em geral e numa história de amor com o canto, são dela as palavras: “Através da arte, levanto as barreiras. Interpretação não é suficiente e apenas evoluo quando crio.”

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