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Atletismo: IAAF mantém Rússia suspensa e fora dos JO Rio 2016

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Atletismo: IAAF mantém Rússia suspensa e fora dos JO Rio 2016

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A Federação Internacional de Atletismo (IAAF, na sigla original em inglês) decidiu manter a suspensão de afiliação da Rússia e, com isso, também o impedimento dos atletas russos de participarem em provas oficiais internacionais, como as Olímpiadas. Este impedimento dos atletas pode, contudo, ser ainda alterado em determinados casos pelo Comité Olímpico Internacional (COI) com vista à competição em agosto no Rio de Janeiro.

Em reunião extraordinária realizada esta sexta-feira — cerca de mês e meio antes do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (5 de agosto) — e presidida pelo presidente do organismo internacional, Sebastian Coe, o Conselho da IAAF votou de forma unânime a favor da manutenção do castigo à Federaçao russa (ARAF/RusAF).

Estiveram presentes 25 dos 27 membros do Conselho, nesta que era descrita como mais uma hipótese de a Rússia mostrar estar a cumprir as exigências para poder voltar a fazer parte da IAAF e permitir aos respetivos atletas participar em provas oficiais internacionais.

“Embora tenha sido conseguido um bom progresso, o Conselho da IAAF foi unânime a considerar que a ARAF/RusAF não respeitou as condições de reinserção e que os atletas russos não podem voltar com cedibilidade às competições internacionais sem colocar em causa a confiança dos seus competidores e do público. Em resultado, a ARAF/RusAF não foi reintegrada como menbro da IAAF”, afirmou Sebastian Coe, no final da reunião, através de um comunicado.

Foi a Federação Russa, através da TASS e depois de ter sido notificada da decisão, a anunciar em primeira mão a manutenção da suspensão pela IAAF. “Posso confirmar que a suspensão se mantém e vou abster-me de tecer mais comentários”, afirmou o secretário geral da ARAF/RusAF, Mikhail Butov, à agência de notícias russa.

A sanção impede assim os atletas russos de participarem na próxima edição dos Jogos Olímpicos, onde são crónicos candidatos às medalhas, e também nos Mundiais de atletismo para juniores, entre 19 e 24 de julho, em Bydgoszcz, na Polónia, e nas várias provas europeias que se aproximam.

Em causa está um alegado esquema de manipulação de testes antidoping na Rússia com suposta cobertura do governo de Vladimir Putin e revelado em novembro por um relatório independente solicitado pela Agência Mundial Antidopagem (AMA).

Para alguns atletas russos, no entanto, resta ainda uma esperança de poderem competir no Rio de Janeiro. Numa das quatro recomendações aprovadas esta sexta-feira pelo Conselho da IAAF, a terceira, lê-se: “Se houver algum atleta individual que possa provar de forma clara e convincente de que não está manchado pelo sistema russo porque esteve fora do país e sujeito a outro sistema eficiente antidoping, incluindo sujeito a testes antidoping eficazes, então esses atletas devem apelar à permissão para competire em provas internacionais, não pela Rússia, mas como atleta neutro.”

A bicampeã olímpica de salto à vara (2004 e 2008), Yelena Isinbayeva, não se conforma e já fez saber que vai recorrer alegando violação de direitos humanos. “Não vou ficar em silêncio. Vou virar-me para um tribunal de direitos humanos e vou provar à IAAF e à AMA que eles tomaram uma decisão errada”, afirmou a atleta, de 34 anos, medalha de bronze há quatro anos em Londres, dizendo ainda ser “uma pena” que “atletas limpos sejam punidos por um crime que não cometeram.”

Na próxima terça-feira, o Comité Olímpico Internacional (COI) reúne-se em Lausana, na Suíça, e deverá analisar alguns casos individuais de atletas russos que foram vítimas colaterais do escândalo, adiantou ao jornal britânico Guardian o representante australiano no COI, John Coates, também atual presidente do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), ao qual poderão chegar nos próximos dias vários recursos de atletas russos e até da própria federação.

 

Cronologia de uma suspensão anunciada

  • 9 de novembro: AMA divulga relatório;
  • 13 de novembro: IAAF suspende ARAF/RusAF;
  • 19 de novembro: IAAF exige uma série de reformas à Rússia, nomeadamente no setor da luta antidoping;
  • 23 de novembro: ARAF/RusAF aceita o castigo da IAAF;
  • 11 de janeiro: Comissão da IAAF realiza primeira visita à Rússia para verificar implementação de reformas;
  • 14 de janeiro: AMA publica segunda parte do relatório;
  • 11 de março. IAAF admite que Rússia tinha ainda muito por fazer nas reformas;
  • 17 de junho: IAAF revê situação e decide manter a suspensão;
  • 21 de junho: COI reúne-se e pode levantar impedimento de alguns atletas russos vítimas colaterais do escândalo de doping.

Numa altura em que os adeptos de futebol russos estão também a ser alvo da justiça em França, devido a incidentes violentos à margem do Europeu de futebol, e no mesmo dia em que a União Europeia decidiu prolongar as sanções económicas à Crimeia, península autónoma ucraninana anexada por Moscovo há dois anos, o Presidente da Rússia alega ser “um grande erro” a eventual politização do desporto.

“O problema do doping não é exclusivo da Rússia. É um problema de todo o mundo do desporto. Se alguém tentar politizar alguma coisa nesta área, acredito que isso seja um grande erro”, afirmou Vladimir Putin, durante o Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, onde também esteve presente o antigo futebolista português Luís Figo.

Em resposta às suspeitas de politização da decisão, o presidente da IAAF foi lacónico: “A decisão foi unânime. A política não foi tida hoje em causa naquela sala.”

Sobre a relação russa com o doping, o líder do Kremlin garantiu que a Rússia é “absolutamente contra o doping”. “A nivel do estado temos vindo a combater e vamos continuar a combater o doping no desporto”, prometeu.

O ministro russo dos Desportos, por último, espera que uma solução ainda será encontrada a tempo das olímpiadas e afirmou à TASS que uma resposta está já a ser preparada para enviar à IAAF no seguimento da decisão desta sexta-feira. “A Decisão sobre a suspensão da ARAF/RusAF já era esperada e fácil de adivinhar. Vamos encontrar uma resposta”, afirmou Vitaly Mutko, admitindo recorrer ao TAS.

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