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Atletismo: COI apoia IAAF na suspensão da Rússia e Moscovo abre processo-crime

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Atletismo: COI apoia IAAF na suspensão da Rússia e Moscovo abre processo-crime

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O Comité Olímpico Internacional (COI) anunciou este sábado, em comunicado, o total apoio à decisão da véspera da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) de manter a suspensão da Rússia e o impedimento dos atletas russos de participarem em provas internacionais. As autoridades federais russas abriram, entretanto, um processo-crime contra o antigo responsável da agência antidoping russa por alegada destruição de interesses do Estado.

Após uma videoconferência do respetivo quadro executivo, o COI sublinhou que “a participação de atletas em qualquer competição, incluindo nos Jogos Olímpicos, cabe à respetiva federação internacional”. O organismo olímpico vai também dar andamento a “medidas ainda mais profundas de forma a garantir um equilíbrio competitivo para todos os os atletas que vão competir nas olimpíadas do Rio de Janeiro.”

Na terça-feira, o COI realiza uma cimeira em Lausana, na Suíça, na qual vai “abordar os casos dos países em que as agências nacionais antidopagem foram declaradas estar em incumprimento pela Agência Mundial Antidoping (AMA) por razões de ineficiência funcional do respetivo sistema antidoping”. É o caso da Rússia, devido aos dados revelados por um relatório independente publicado pela AMA em novembro, mas também, por exemplo, do Quénia.

 

Dia Olímpico na Rússia

Celebra-se na Rússia este sábado — curiosamente um dia após a confirmação da suspensão da Federação de Atletismo — o chamado Dia Olímpico, que tambem é denomidado como Festa do Desporto e da Vida Saudável. Em Moscovo, as celebrações arrancaram pelo meio dia (10 horas em Lisboa) e pelas 15 horas houve lugar a uma corrida de 5000 metros. Em Krasnodar, 3500 pessoas participaram nas comemorações, cujo lema nacional, curiosamente, era: “Incentivar os nossos atletas a vencer no Rio.”

O ministro russo dos Desportos pediu, entretanto, à IAAF para esclarecer quais as medidas que devem ainda ser tomadas para que a suspensão da respetiva federação seja levantada e os atletas russos possam participar nos Jogos Olímpicos.

“Não vamos ficar isolados. Estamos prontos a cooperar com toda a gente, em termos positivos”, afirmou Vitaly Mutko, sublinhando: “Queremos saber o que mais podemos fazer.”

Processo-crime contra ex-chefe da agência antidoping russa

A Comissão de Investigação da Federação Russa decidiu abrir um processo-crime contra o antigo chefe da agência russa antidopagem sob acusação de abuso de autoridade e de ter destruído 1437 amostras de testes de doping, no laboratório de Moscovo, em 2014, depois da AMA ter solicitado a respetiva preservação para futura verificação.

“Uma investigação preliminar mostra que, no decorrer da investigação, a AMA enviou, a 9 de dezembro de 2014, uma carta a Grigory Rodchenkov, o então diretor do Centro Antidoping, exigindo que todos os testes da organização, realizados nos três meses anteriores, começando a 10 de setembro de 2014, e os efetuados depois, fossem congelados e mantidos até novas instruções da AMA”, explicou o porta-voz da comissão Vladimir Markin, citado pela agência TASS, acrescentando: “Tendo lido a carta, Grigory Rodchenkov confirmou por e-mail a 10 de dezembro de 2014 ter recebido a carta e que todos os testes seriam mantidos.”
(Vladimir Markin: “A verdade de que nem todos podem gostar.”)

“No entanto, a 12 de dezembro de 2014, com a intenção de esconder alguns dados inconvenientes e violações cometidas no seu trabalho, mantendo, assim, a gestão contra as regras do Laboratório Antidoping, o próprio contrato laboral os padrões internacionais da AMA e a própria carta da AMA a solicitar a preservação das amostras, ele (Rodchenkov) ordenou verbalmente a destruição de 1437 testes, das quais 22 haviam sido mantidas por pelo menos três meses”, acusou Markin.

(Cinco anos de prisão para o ex-diretor do laboratório antidoping russo.)

O porta-voz da Comissão de Investigação russa alega ainda que “os atos de Rodchenkov afetaram os interesses do Estado, prejudicaram a sua (da Rússia) reputação, desacreditaram as políticas antidoping do país e causaram a revogação da licença internacional do laboratório, a qual havia sido conseguida às custas do orçamento federal”.

O médico exilado incorre numa pena prevista de até 5 anos de prisão. A investigação russa prossegue.

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