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Espanha volta às urnas domingo no meio de um impasse governativo

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Espanha volta às urnas domingo no meio de um impasse governativo

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Seis meses depois das eleições legislativas, os espanhóis são, uma vez mais, chamados às urnas para escolherem um novo governo. As sondagens antecipam um executivo complicado porque nenhum partido conseguirá governar sozinho.

Os candidatos dos quatro maiores partidos prometeram que não haverá uma terceira volta, mas não dizem como a poderão evitar.

O Partido Popular, de Mariano Rajoy, primeiro-ministro em exercício, voltará a ser o partido mais votado mas ficará longe de uma maioria absoluta.

Rajoy, recusou-se a participar na cerimónia de investidura, face aos resultados de dezembro, mas insiste agora que o partido mais votado deve ser o que governa. O problema do PP é que lhe faltam aliados com os quais possa formar um governo de maioria. Principalmente depois dos escândalos de corrupção, em particular o último que envolve o atual ministro do Interior.

As sondagens dizem que o Unidos Podemos, formação anti-austeridade liderada por Pablo Iglesias, uma coligação composta por partidos de esquerda e independentistas, será a segunda força mais votada e pode mesmo aumentar, substancialmente, o número de deputados no parlamento.

Pablo Iglesias apresenta-se como a única alternativa a Rajoy, mas precisa do apoio do PSOE.

Um cenário inimaginável para o candidato socialista, Pedro Sánchez, principalmente se acabar como o terceiro mais votado. Sánchez, que não conseguiu formar governo devido à oposição do PP e do Podemos, prometeu não vetar uma mudança, mas recusa o referendo de autodeterminação para a Catalunha prometido pelo Unidos Podemos.

O movimento liberal Ciudadanos ficará em quarto nesta votação e poderá conseguir mais um assento no parlamento, tem atualmente 40. O seu candidato, Albert Rivera, tinha assinado um pacto de governo com Pedro Sánchez mas a sua nomeação falhou. Agora, defende um pacto sem o Unidos Podemos, resultante de negociações entre o PP, o PSOE e o seu partido, após as eleições, mas sem Rajoy a chefiar o governo.

Eleições em Espanha: “Uma grande coligação ou um governo de esquerdas com nacionalistas”

Para analisarmos possíveis cenários nas eleições legislativas de domingo em Espanha, entrevistámos Lluis Orriols, professor de Ciência Política na Universidade Carlos III, de Madrid, e doutorado pela Universidade de Oxford.

Isidro Murga, euronews: As eleições de dezembro terminaram com décadas de bipartidarismo, mas não serviram para dar um governo a Espanha. Seis meses depois, pode repetir-se a situação ou já se clarificou o panorama político espanhol?
Lluis Orriols: Se se confirmarem os prognósticos, continuamos sem uma maioria de esquerda — uma maioria de esquerda que depende dos votos dos nacionalistas — e não haverá também uma maioria de direita. Estaremos, portanto, num cenário de difícil gestão. É verdade que é um cenário um pouco mais fácil do que o anterior, no sentido em que um dos pactos possíveis há seis meses já não se coloca: o governo de mudança — um governo liderado pelos socialistas e com os novos partidos, o Ciudadanos e o Podemos — pode ser descartado. Agora, ou temos uma grande coligação ou um governo de esquerda com nacionalistas.

As sondagens preveem uma vitória sem maioria do Partido Popular (PP), a quem vai ser difícil formar governo. À recusa do resto dos partidos em apoiar Mariano Rajoy, soma-se o escândalo das supostas manobras do Ministro do Interior para prejudicar dirigentes independentistas. Resta alguma saída ao PP?
O PP vai encontrar um cenário mais fácil do que em dezembro. Se é verdade que não vai conseguir uma maioria parlamentar, nem mesmo com o Ciudadanos, é verdade também que desta vez pode surgir algo que em dezembro era difícil: uma grande coligação ou, pelo menos, um pacto entre o PP e o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) para que o PP governe. É verdade que nos últimos dias surgiu um escândalo, que dentro da campanha terá sido um dos elementos mais destacado, mas tenho algumas dúvidas de que isso vá mudar muito os resultados de domingo. Vai ser difícil para o PP, mas não mais do que foi em dezembro.

Qual seria o preço para o PP poder pactuar com outras formações?
Acredito que essa é precisamente uma das grandes incógnitas após as eleições: saber se o PP está, por exemplo, disposto a renunciar ao seu candidato para facilitar a investidura com a abstenção do Partido Socialista. Isto, sem dúvida, é uma incógnita: saber quais são os limites negociais do PP.

Que outras opções estão sobre a mesa?
Existem, essencialmente, duas opções. Há o pacto PP-PSOE — numa espécie de grande coligação ou apenas no apoio duma investidura — ou uma coligação de esquerdas, que de momento teria de ser apoiada por partidos nacionalistas. Isto é complicado, por dois motivos: porque alguns dos partidos nacionalistas que deveriam entrar nesta aliança são partidos que apostam pela rutura da Espanha e isso seria difícil de gerir pelo Partido Socialista. Outro elemento, seria um eventual ‘sorpasso’ (termos utilizado em Espanha para descrever um eventual resultado das forças mais à esquerda que lhes permita ultrapassar o do PSOE), o que poderia dificultar um eventual pacto entre o PSOE e o Podemos.

Para além do desemprego, da corrupção ou das tensões independentistas, o próximo governo deverá lutar contra novas medidas de austeridade exigidas por Bruxelas. Poderia repetir-se em Espanha o que aconteceu na Grécia com o Syriza?
Efetivamente. A Grécia é, desde há alguns anos, um espelho para os espanhóis. O que tem vindo a suceder-se na Grécia teve, em parte, eco em Espanha alguns meses ou alguns anos mais tarde. É muito possível que um novo governo, por muito beligerante que seja com a União Europeia, tenha que acabar por aceitar algumas coisas, pelo menos a curto prazo. É verdade que se houver alguns partidos mais resistentes podem conseguir maiorias dentro da União Europeia para mudar a trajetória europeia, mas isso não vai acontecer a curto prazo nem nos próximos meses. Por isso, é muito provável que as promessas eleitorais voltem a cair em saco roto perante as imposições da União Europeia.

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