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Brexit: Falsas promessas?

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Brexit: Falsas promessas?

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Os políticos britânicos que apelaram ao Brexit antes do referendo estão agora sob pressão. Os eleitores esperam que alguém assuma a liderança e começam a perceber que alguns dos slogans da campanha andavam longe da realidade.

Nos dias que se seguiram à decisão histórica de abandonar a Uinão Europeia, muito se falou dos arrependidos. Uma das principais razões para a deceção é que começa a ser claro que nem todas as promessas da campanha vão poder ser realizadas.

Um dos slogans mais populares durante a campanha pelo Brexit dizia que o Reino Unido entrega 350 milhões de libras (cerca de 429 milhões de euros) por semana à União Europeia e que esse dinheiro deveria ser usado para financiar o Serviço Nacional de Saúde britânico.

Na realidade são menos de 250 milhões de libras por semana. Entrevistado no programa “Good Morning Britain”, o líder do UKIP Nigel Farage, que não esteve no coro dos que fizeram esta promessa, reconheceu que foi um erro. “Não, nunca fiz essa promessa. Esse foi um dos erros que a campanha do ‘sair’ cometeu”, disse Farage.

Outra bandeira da campanha pelo Brexit era o controlo de fronteiras e redução da imigração.

“Queremos as nossas fronteiras de volta, queremos os nossos passaportes de volta. Quem estiver de acordo vote no dia 23 de junho, vai ser o dia da independência do Reno Unido”, encorajava o líder do UKIP.

O eurodeputado britânico Daniel Hannan, uma das vozes mais ativas em defesa da saída do Reino Unido da UE
já veio dizer que “ninguém sugeriu alterações no estatuto dos imigrantes” e que “se qas pessoas acham que agora haverá zero imigração da União Europeia, vão ficar desapontadas”, pois a intenção do Brexit era passar a ter “mais controlo sobre quem entra”.

Durante a campanha, foi usada e abusada a sugestão de que a saída da União Europeia se faria rapidamente. No Reino Unido do pós-referendo, os políticos procuram ganhar tempo, e tudo parece muito mais complicado, como se tivessem sido apanhados de surpresa pelo resultado.

As declarações do primeiro-ministro David Cameron sobre deixar ao seu sucessor no cargo a tarefa de invocar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que prevê um prazo de dois anos para a negociação da saída de um Estado-membro, deram o mote ao ministro das Finanças britânico, George Osborne:

“O primeiro-ministro deu tempo ao país para decidir que relações queremos ter com a União Europeia, adiando a ativação do artigo 50 até que o novo primeiro-ministro tome posse no outono”.

O ex-ministro da Defesa Liam Fox, político trabalhista que também fez campanha pelo Brexit, pôs igualmente água na fervura defendendo que “não faz sentido acionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa sem haver um período de reflexão que permita ao Governo determinar o que fazer e em que prazo”.

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