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Euro2016: Os "vikings" nos jogos do trono e o fim da era "roja"

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Euro2016: Os "vikings" nos jogos do trono e o fim da era "roja"

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A dois dias do pontapé de saída, em Marselha, dos quartos de final do Euro2016, aproveitámos este primeiro dia de descanso após os oitavos de final para aprofundar o olhar sobre a grande revelação deste torneio, uma das grandes desilusões e para o ponto final de uma era de oito anos de sonho para o futebol espanhol.

Islândia: é tudo uma questão de atitude

 

Curiosidades islandesas

  • É o país com menor população de todos os 24 presentes no Europeu: 332.550 habitantes;
  • Estima-se que 8 por cento da população está em França a apoiar a seleção;
  • Há dados que garantem haver na ilha quase o dobro das ovelhas face às pessoas: 600 mil;
  • Os habitantes ganham num particular: a Islândia é um dos poucos lugares do mundo onde não há formigas;
  • Há 120 futebolistas profissionais no país contra 126 vulcões ativos;
  • Dos 23 seleccionados, nenhum joga na Islândia. Fonte: jornal Marca
Eidur Gudjohnsen é, sem dúvida, a grande estrela da maior revelação deste Europeu em França. Já ganhou uma Liga dos Campeões e duas Ligas espanholas pelo Barcelona e duas Ligas inglesas pelo Chelsea de José Mourinho. Aos 37 anos, porém, o melhor marcador de sempre da Islândia já não é um dos pilares desta surpreendente seleção.

Gudjohnsen, aliás, já tinha pendurado as botas, mas aceitou o convite para voltar no Europeu e assim estrear-se num grande torneio internacional pela seleção. Já jogou, mas ainda só cumpriu os seis minutos finais no empate (1-1) com a Hungria.

Em ano de estreia absoluta em grandes competições, os “vikings” nem sequer contavam à partida para as apostas deste europeu. Eram “favas contadas”, considerava-se. Ao primeiro jogo, empataram com Portugal a um golo. A crítica por todo o mundo ignorou o feito dos nórdicos e caiu em cima de Cristiano Ronaldo e da equipa de Fernando Santos, que, de facto, também não entrou bem na competição.

A verdade é que a Islândia continua em prova. Empataram (1-1) com a Hungria, venceram (2-1) a Áustria e agora eliminaram (2-1) a Inglaterra. Estão nos quartos-de-final e Heimir Hallgrímsson, um dentista de profissão, ex-futeblista e agora adjunto do sueco Lars Lagerback, o selecionador islandês, garante que o segredo é a atitude e há que mantê-la.

“Se prepararmos bem a nossa equipa e os jogadores jogarem com a mesma atitude, podemos vencer qualquer equipa. Mas somos realistas. Apesar de a Islândia ter feito (diante da Inglaterra) o melhor jogo de sempre sabemos que continuamos a poder perder contra equipas como a Espanha, a França ou a Inglaterra. Por isso, somos realistas, mas acreditamos nos rapazes e, com esta vitória, também eles vão estar mais confiantes”, anteviu Halldrímsson.

A Islândia leva seis golos marcados e quatro sofridos. O coletivo é o ponto forte. O poder físico impressiona. Os adeptos também jogam e intimidam. O França-Islândia está marcado para domingo, às 21 horas (20h em Lisboa), em Saint-Denis.

Inglaterra: Selecionador sai de cena

Logo após o apito final da derrota diante da Islândia, Roy Hodgson anunciou o adeus ao comando técnico da seleção inglesa. Ele, que há doze anos até treinou um clube norueguês chamado Viking FK, agora atirou a toalha ao chão após perder contra uma autêntica equipa de “vikings” islandeses.

“Gostava de ficar por mais dois anos. No entanto, sou pragmático e ainda mais agora que estamos no negócio dos resultados. O meu contrato terminava a seguir a este Europeu, por isso, é tempo de outra pessoa tomar conta do progresso deste jovem, ávido e extremamente talentoso grupo de jogadores”, afirmou Hodgson.

O treinador, de 68 anos, aguentou pouco mais de quatro deles à frente da equipa dos “três leões” e cumpriu 56 jogos (33 vitórias/ 8 derrotas). Substituiu o italiano Fabio Capello no início de maio de 2012 e conduziu a Inglaterra, aí também, aos quartos-de-final, onde, então, perdeu no desempate por penáltis com a Itália.

No Mundial de 2014, desastre completo. A equipa de Hodgson ficou-se pela fase de grupos e o melhor que conseguiu foi um empate a zero com a Costa Rica. Agora, acabou eliminada pela Islândia. Selecionador procura-se com vista ao Mundial de 2018 na Rússia.

Espanha: Acabou-se!

A derrota da Espanha poderia ser também uma das grandes surpresas deste Europeu. Afinal, são os bicampeões em título. Diante do último finalista vencido, porém, esta eliminação é apenas o confirmar do fim de uma era já anunciado no Mundial do Brasil.

Há oito anos, exatamente a 29 de junho, a Espanha venceu a Alemanha, em Viena, e sagrava-se, no Euro2008, pela segunda vez na história campeã da Europa de futebol. Era também o início de uma era de ouro da “Roja” europeia, então sob o comando técnico de Luís Aragonés e a maestria no meio campo da dupla do Barcelona, Xavi e Iniesta.

Dois anos depois, na África do sul, diante da Holanda e já com Vicente del Bosque no banco, “la Roja” foi campeã do Mundo pela primeira vez. Em 2012, com uma goleada na final à Itália, os espanhóis sagraram-se bicampeões europeus. O futebol espanhol chegava às nuvens.

A idade dos jogadores, porém, não perdoa e sem renovação da equipa à altura, no Mundial do Brasil a Espanha ficou-se pela fase de grupos. Agora, a eliminação nos quartos-de-final do Euro2016, sem argumentos diante da Itália, marca o fim de uma era no futebol dominada pela Espanha.

Vicente del Bosque não concorda e diz que há qualidade para voltar ao topo. “O futebol espanhol tem uma grande estrutura. Temos vindo a trabalhar há muitos anos, há uma boa academia de jovens e bons jogadores espanhóis. O trabalho dos clubes também é bom, por isso não penso que a era tenha acabado. Sabemos o difícil que é ganhar um grande torneio. Há 24 equipas, fomos eliminados, só um pode ganhar”, sublinhou o treinador, que encerra também a sua etapa na seleção espanhola.

Campeã do Mundo no Brasil, será agora a vez da Alemanha? Para já, está nas mãos da Itália (duelo marcado para sábado, em Bordéus) e o vencedor enfrentará depois a França ou… a Islândia.

Protagonista do dia: Gudmundur Benediktsson

É um dos islandeses que mais mediatismo está a ganhar. Relatador de profissão, ex-jogador e treinador nas horas vagas, Gudmundur Benediktsson acaba de ser despedido de treinador adjunto pelo Knattspyrna devido aos maus resultados.

É de microfone na mão que Benediktsson gosta de estar e há quem tema que ele possa perder a voz neste Euro2016 tal a forma como tem relatado os golos da Islândia em França e já foram 6 mais a festa do triunfo sobre a Inglaterra. “Em tempos, ele foi um bom jogador, mas lesionou-se. Sabe tudo de futebol. Provavelmente, vai perder a voz”, perspetivava um adepto à BBC antes do jogo com a Inglaterra.

Veja em baixo a reação de Gudmundur Benediktsson no final do jogo e ao segundo golo da Islândia. Entre os vários comentários, no final do jogo, ouvem-se estes em islandês: “Já está! Já está! Nunca mais vamos para casa. Viram isto Nunca me acordem deste sonho fantástico. Apupem como quiserem, Inglaterra, a Islândia vai enfrentar a França no domingo. Vocês podem voltar para casa. Podem sair da Europa. Podem ir para o diabo que quiserem. Inglaterra 1, Islândia 2, é o resultado final aqui em Nice e o conto de fadas continua.”

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