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Será a Europa uma torre de marfim?

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Será a Europa uma torre de marfim?

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A cimeira dos líderes dos países da União Europeia, reunidos pela primeira vez a 27, em Bruxelas, encerrou com uma sensação estranha de incerteza, de desconhecido. Cinco dias após a vitória do ‘Brexit’ no referendo britânico, nada de decisões, nada de concreto. Um choque, e os bodes expiatórios. David Cameron, é claro, mas também Jean Claude Juncker, a quem são dirigidas muitas críticas.

“Não me deixo encorajar, nem desencorajar, pela imprensa. A comunicação social escreveu que os holandeses votaram contra o acordo UE-Ucrânia, porque eu me envolvi. Agora dizem que os britânicos votaram contra a Europa, porque eu não me envolvi. Sinceramente, passa-me ao lado,” afirmou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

De fato, ele é recriminado por não ter assumido uma posição antes do referendo, não ter defendido a União Europeia. O que faz com que também seja responsável pelo terremoto. E alguns líderes europeus pedem a sua demissão, como o chanceler austríaco, Christian Kern, ou a primeira-ministra da Polónia, Beata Szydło, para quem as responsabilidades devem ser assumidas.

Para Beata Szydło,“o resultado do referendo no Reino Unido reflete uma série de crises que têm vindo a afetar a UE desde há muito tempo. Os líderes europeus têm sido incapazes de resolver essas crises e têm tentado mascará-las.”

Mas as críticas contra o chefe do executivo da UE são apenas a parte visível do iceberg. No fundo, toda a governação e funcionamento da União são colocados em causa.

“O que temos de procurar é que a União Europeia passe de projeto de elíte para um projeto de cidadãos. Nesse sentido, temos de desenvolver uma maior legitimidade democrática na União Europeia,” considera
Ernst Stetter, Secretário Geral da Fundação para os Estudos Europeus Progressistas.

Uma legitimidade democrática que, para alguns, foi colocada em causa, por exemplo, quando, há dois anos, Jean-Claude Junker foi designado para a presidência da Comissão Europeia.

O antigo primeiro-ministro luxemburguês foi escolhido pelos parceiros conservadores em maioria no Parlamento Europeu.

Na altura, o primeiro-ministro britânico, David Cameron teceu duras críticas. “Acredito que este foi um mau dia para a Europa, porque a posição do Conselho corre o risco de minar o poder dos governos nacionais ao entregar ainda mais poder ao Parlamento Europeu”.

Tem-se argumentado que o crescente sentimento anti-União Europeia começou em 2014, com a nomeação de Jean-Claude Juncker. Mas o que está claro é que todo este criticismo tem o potencial para se transformar numa vaga gigante.

Será que as lições do passado vão servir para algo?

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