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Venezuela: O país rico onde tudo falta

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Venezuela: O país rico onde tudo falta

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O racionamento de energia elétrica termina esta semana, na Venezuela, de acordo com o comunicado, de sábado, do presidente Nicolás Maduro.

O Governo de Caracas colocou em marcha, em abril de 2015, várias medidas para economizar eletricidade, como restringir a distribuição, em todo o país, a 4 horas diárias, durante quarenta dias consecutivos.

A crise do abastecimento da eletricidade colocou várias empresas à beira da falência como, por exemplo, esta oficina onde toda a maquinaria funciona a eletricidade.

“Se isto continuar assim, em dois meses vou ter que despedir os funcionários porque não posso continuar a mantê-los”, afirma o gerente da oficina.

O fenómeno climático El Niño está na origem da seca severa que assola o país, privando, de água, a Barragem Hidroelétrica de Guri, que fornece 70% da energia elétrica consumida no país. De acordo com o Governo, a central vai retomar a produção, colocando fim à escassez de energia.

Este não é o único problema que a Venezuela enfrenta. Em 2015, as receitas provenientes da produção de petróleo caíram 41%, em relação a 2014. As exportações do “ouro negro” representam 96% da economia do país.

A Venezuela mergulhou numa crise profunda. As prateleiras dos supermercados estão vazias. O racionamento de alimentos e bens de primeira necessidade é uma realidade.

A Venezuela é o país com a mais alta taxa de inflação do mundo. Em 2015, atingiu os 180%, segundo os números do Banco Central. Para este ano, o Fundo Monetário Internacional prevê que bata todos os recordes e chegue aos 720%, em função dos “desequilíbrios consideráveis da economia”.

A escassez de alimentos é, talvez, o maior desafio para os venezuelanos. 12% da população só faz uma refeição completa, por dia. Nesta escola, por exemplo, ao almoço servem panquecas de batata-doce. Para muitas crianças esta é a única refeição do dia.

“Quando saio, pergunto a algumas mães se as crianças comem alguma coisa. Algumas dizem-me que só conseguiram comprar sabão e que vão tentar trocá-lo por outra coisa”, conta a cozinheira Carmen García.

A troca ou a revenda de bens fazem parte do quotidiano. Muitos venezuelanos resolveram criar as próprias hortas pois não conseguem comprar alimentos, devido ao preço demasiado elevado.

As hortas urbanas proliferam nos telhados de Caracas. O Governo espera que, em 2019, forneçam cerca de 20% das necessidades alimentares do país.

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