Última hora

Última hora

#Brexit: Algarve reage à fuga de turistas britânicos, a Grécia já sente os efeitos negativos

O governo de Portugal prevê ser batido, de novo este ano, o recorde de visitantes estrangeiros a escolher o nosso país “à beira mar plantado” como destino…

Em leitura:

#Brexit: Algarve reage à fuga de turistas britânicos, a Grécia já sente os efeitos negativos

Tamanho do texto Aa Aa

O governo de Portugal prevê ser batido, de novo este ano, o recorde de visitantes estrangeiros a escolher o nosso país “à beira mar plantado” como destino turístico. O Algarve, ainda assim, pede já um reforço da promoção da região junto dos britanicos, os principais clientes do turismo no sul do país face ao resultado do referendo do “Brexit”, isto é, a votada saída do Reino Unido da União Europeia e a consequente perda do direito à livre circulação no espaço europeu.

Mais grave que a situação do Algarve parece ser, contudo, a da Grécia. A atravessar há anos uma grave crise económica e a necessitar como de “pão para a boca” e “ar para os pulmões” de mais receitas para contrabalançar o défice negativo previsto para este ano, os operadores turísticos gregos anteveem uma redução ainda maior de turistas por causa da anunciada alteração do estatuto do Reino Unido.

Já a ser vítimas de alguma desinformação junto dos turistas, por causa da crise de refugiados, os gregos arriscam agora ver reduzir o contingente de um dos mais lucrativos nichos de clientes dos hotéis, bares e cafés locais: os britânicos.

Uma jornalista da redação da euronews em Atenas deslocou-se esta semana até à ilha de Egina, localizada a sudoeste de Atenas, fora da rota dos migrantes clandestinos e refugiados oriundos do Médio Oriente via Turquia. Symela Touchtidou conversou com alguns comerciantes locais sobre o estado do turismo nesta ilha.

Manolis Leousis é dono de um restaurante. Ele acredita que a Grécia vai “ter um problema este ano”: “Os estrangeiros dizem-nos claramente que não desejam ver refugiados a vaguear de praia em praia, de porto em porto. Alguns deles já enfrentam esta realidade de forma intensa nos seus países. Falo, por exemplo, dos austríacos, dos alemães, dos suecos…”

As pazes entre Erdogan e Putin

A verdade é que nem toda a Grécia está a ser afetada pela crise de refugiados. Este é um fenómeno que está a tornar-se um grave problema humanitário, mas nas ilhas gregas mais a leste, mais próximas inclusive da Turquia do que da Grécia. Se tudo isto, porém, não bastasse — o “Brexit” e os refugiados —, agora há também a eventualidade de as pazes restabelecidas entre Ancara e Moscovo ameaçarem desviar também os turistas russos para a Turquia.

Thomas Haldaios, é dono de um hotel e membro da Federação Helénica de Hoteleiros. À nossa enviada especial, este operador turístico revelou uma realidade dramática para um profissional do setor: “Não houve uma só pessoa, ontem, no meu hotel. Tive de fechar. Nem um só cliente. Nem um… Diga-me: Como posso ganhar a vida?”

“Só me sobra agosto. Digamos que tenho de trabalhar entre 15 e 25 dias. Pode o hotel ser rentável? Conseguirá a empresa cobrir as despesas anuais? É impossível. A matemática diz-nos que estamos a caminho do fecho”, lamentou Thomas Haldaios.

Em Portugal, a Região de Turismo do Algarve (RTA) considerou, em comunicado, ser necessário “reforçar a relação de confiança” com o mercado turístico britânico, mas também apostar na diversificação na origem dos mercados potenciais para complementar a procura do sul do país.

Os número da RTA colocam, sem surpresa, o Reino Unido como principal mercado turístico de Portugal, representando 8,3 milhões de dormidas anuais em alojamento classificado, e o Algarve como destino preferencial dos turistas britânicos no país, registando cerca de 70 por cento das dormidas. As receitas geradas por este nicho equivalem a 1,5 mil milhões de euros só no algarve de um total nacional de 2 mil milhões.

No ano passado, 2,4 milhões turistas britânicos terão deixado na Grécia os mesmos 2 mil milhões de euros faturados em Portugal. Estes números deverão, porém, baixar significativamente este ano face ao “Brexit”, votado a 22 de junho, curiosamente, um dia após ter começado o verão.

Encontrámos uma turista britânica na ilha de Egina. Não nos revelou o nome, mas deixou-nos uma garantia: “O ‘Brexit’ vai mudar os planos de viagem. Se introduzirem o sistema antigo de vistos e se a libra não estabilizar face ao euro, muita coisa vai mudar para muita gente. De momento, está o caos. Ninguém nos sabe dar uma resposta clara”, reclamou.

As preocupações na Grécia vão contudo muito mais além do que as receitas turísticas, como nos conta, a fechar, a nossa correspondente, Symela Touchtidou: “Se alguém está a procura de trabalho ou quer iniciar um negócio próprio, o turismo é um dos poucos setores que permite sonhar com a sobrevivência na Grécia. O resultado deste ano não vai ser crucial apenas para ajudar a recuperar a economia, vai mostrar o quanto o empreendedorismo grego pode aguentar face a tantos desafios.”