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O Ramadão mortífero do Daesh

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O Ramadão mortífero do Daesh

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Com António Oliveira e Silva e Riad Muasses

O mês do Ramadão, o nono do calendário Islâmico, é a época em que os muçulmanos de todo o mundo celebram a primeira revelação do Alcorão ao Profeta Maomé. É também um mês de jejum, de reflexão e de recolhimento e de partilha em família.

Este ano, no entanto, o Ramadão ficou marcado, um pouco por todo o mundo, por sangrentos atentados que deixaram mais de 350 mortos e milhares de feridos, a grande parte dos quais em países de maioria muçulmana, sunita ou chiita. A maioria dos ataques foi reivindicada por grupos ou pessoas que diziam agir em nome dos jihadistas do autoproclamado Estado Islâmico (EI) ou Daesh, como é conhecido o grupo armado pela sigla em língua árabe.

Ataque considerados por vários analistas como uma tentativa para distrair a Comunidade Internacional relativamente às derrotas sofridas pelos jihadistas do Daesh no terreno, da Síria ao Iraque, países onde o autoproclamado califado tem vindo a perder influência.

Segundo Riad Mouasses, chefe do serviço em língua árabe da Euronews, “grupos (…) como o Daesh consideram o mês do Ramadão como o mês da Jihad. Alguns preferem lançar ataques no décimo sétimo dia do Ramadão, o dia do aniversário da Batalha de Badr, a primeira das batalhas do Islão. Por outro lado, como as pessoas se juntam para celebrar o Ramadão, torna-se mais fácil atingir muitas pessoas, como em Bagdade. Os jihadistas querem que os regimes saibam que podem atacar em todos os lugares, independentemente do nível de segurança, como aconteceu em Medina.”

Aqui fica uma lista dos principais ataques extremistas levados a cabo durante o último Ramadão:

Orlando, Florida, Estados Unidos

Dia 12 de junho, um homem armado com uma arma automática dispara sobre uma multidão que se encontrava numa das mais conhecidas discotecas LGBT da cidade de Orlando, situada no centro da Florida. ,Morreram 49 pessoas no que foi considerado como o maior assassinato em massa da História dos Estados Unidos da América. Segundo a polícia, Omar Mateen, de 29 anos, cidadão dos EUA de origem afegã, terá ligado para as autoridades dizendo que era um “soldado do califado”, embora não tenha sido divulgada qualquer prova no sentido de um contacto com membros do Daesh.

Jordânia

Dia 21 de junho, um condutor suicida a bordo de um carro armadilhado lança-se contra um posto do exército jordano na fronteira com a Síria, deixando sete soldados mortos, no que foi o mais grave ataque no reino hachemita em anos. Um ataque reivindicado pelo EI.

al-Mukalla, Iémen

Dia 27 de junho, um grupo próximo do EI levou a cabo uma série de ataques na cidade portuária de al-Mukalla, sul do país, deixando 43 mortos, a maioria dos quais agentes dos serviços secretos e polícias. Um dos ataques consistiu na colocação de uma bomba escondida numa caixa com comida para os soldados, na altura em jejum segundo a tradição do Ramadão, para que estes quebrassem o jejum uma vez posto o sol. Outro ataque consistiu numa invasão a uma esquadra de polícia. O EI reclamou a responsabilidade por todos os ataques.

Qaa, Líbano

Dia 27 de junho, oito bombistas suicidas atacaram a pequena localidade libanesa cristã de Qaa, na fronteira com a Síria, matando pelo menos cinco pessoas e deixando dezenas de feridos. Até ao momento, ninguém reclamou qualquer responsabilidade pelo ataque.

Istambul,Turquia

Dia 28 de junho, três bombistas suicidas, armados com armas de assalto, penetram no aeroporto internacional Ataturk, de Istambul, na Turquia, um dos mais movimentados do mundo, e disparam indiscriminadamente sobre passageiros e pessoal de assistência, deixando 44 mortos e mais de 150 feridos. Apesar do atentado não ter sido reivindicado, o Governo de Ancara diz acreditar que os autores estariam ligados ao EI.

Kuala Lumpur, Malásia

Dia 28 de junho, foi lançada uma granada a um bar perto da capital da Malásia, Kuala Lumpur, enquanto várias pessoas viam um dos jogos do Euro 2016. As autoridades dizem tratar-se do primeiro ataque naquele país de maioria muçulmana, e que os atacantes receberam ordens de um grupo extremista com sede na Síria.

Daca, Bangladesh

Dia um de julho, um homem armado com várias facas, armas automáticas e bombas entrou num restaurante muito popular numa das zonas mais exclusivas da capital do Bangladesh, Daca e fez 35 reféns. Morreram 20 pessoas, a maioria dos quais turistas estrangeiros, entre italianos e japoneses. Testemunhas disseram que o atacante deixou que os muçulmanos deixassem o local, mas que torturou outros reféns, por não conseguirem recitar o Alcorão. O Daesh reclamou a autoria do ataque.

Bagdade, Iraque

Dia três de julho, um camião armadilhado explodiu na zona comercial de Bagdade, matando pelo menos 175 pessoas. É considerado com um dos mais mortíferos ataques em 13 anos de conflito. O EI disse ser o responsável pelo ataque “direcionado para a comunidade chiita”.

Arábia Saudita

Dia quatro de julho, três cidades sauditas são atacadas por bombistas, incluída Medina, onde fica a Mesquita do Profeta, um dos locais mais sagrados do Islão, deixando quatro mortos. Um homem, residente no Paquistão, atacou o exterior das instalações do Consulado dos Estados Unidos em Gidá (ou Jeddah, pela transliteração para a língua inglesa), matando dois guardas. Um terceiro homem atacou uma mesquita chiita no este do país. Ninguém reclamou qualquer responsabilidade pelos ataques.

Solo, Java, Indonésia

Dia cinco de junho, um bombista suicida aciona um colete armadilhado perto de um posto de polícia em Solo, ilha de Java, ferindo uma agente. Segundo a polícia, o atacante estaria ligado a um dos jihadistas simpatizantes do Daesh na Indonésia.

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