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Quando os sonhos se realizam em Viena

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Quando os sonhos se realizam em Viena

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É mais uma interpretação ímpar da Orquestra Filarmónica de Viena, sob a batuta do franco-canadense Yannick Nézet-Séguin, a quem as mais prestigiadas salas de concerto cobiçam e tido como um dos mais talentosos maestros desta geração, no fim de uma digressão triunfante: “Para mim, dirigir esta peça musical, esta orquestra, nesta sala, é possivelmente o maior sonho da minha! Tentei não pensar nisso esta semana, para não aumentar o insuportável stress (risos). Para mim, isto é mesmo a realização de um grande sonho!”

De Bruckner, Yannick fala com o respeito de quem deixou uma marca indelével na música: “Bruckner prestou homenagens, seja a Beethoven, seja a Wagner, e deu o seu melhor para encontrar uma linguagem própria, que se constata ser única ao longo da história da música. Aqui reside, na minha opinião, toda a beleza de Bruckner… o lado intemporal, a sua marca indelével, fora do convencional, fazem com que seja um compositor mais difícil de perceber, mas talvez ainda mais único e mais especial.”

Referido pelo New York Times “como o maestro que conduz de modo “excitante e ponderado” e com “uma genialidade e capacidade que parecem inesgotáveis”, Yannick Nézet-Séguin é, aos 41 anos, o terceiro diretor musical da Ópera Metropolitana de Nova Iorque em 133 anos de história.

Um percurso que redunda numa exigência constante e que tem caminhos interiores que permitem deixar a música falar por si sob condução: “A introspeção é o caminho natural, obrigatório, de um artista persistente, que tem a oportunidade como eu de fazer música desde os cinco anos de idade. Também tenho uma energia física que me permite fazer muitas coisas e envolver física e mentalmente a fundo em cada projecto. Mas isso não impede a introspeção, encontrar o que temos para dizer: qual é a verdadeira mensagem dentro de cada obra que queremos oferecer ao público? E, portanto, não nos deixarmos influenciar pelo turbilhão ambiente.”

Yannick Nézet-Séguin sucede na Met ao legendário James Levine, que deixa a posição ao fim de 40 anos e se torna o primeiro diretor musical emérito da instituição.

É de Nézet-Séguin que o director geral da Ópera Metropolitana, Peter Gelb, espera uma condução de orquestra que seja “um capítulo glorioso na história da Met”.

Para quem pegou numa batuta pela primeira vez aos 10 anos e soube que o mundo estava todo ali na ponta dos dedos, conduzir uma orquestra é uma missão: “Como músico é esta a minha missão, os músicos têm todos esse papel: dar beleza ao mundo.
Enquanto maestro é ainda mais o nosso papel: nós devemos trazer beleza e felicidade às pessoas, é a razão de ser da nossa arte.
E quando se diz beleza e felicidade, isso não quer dizer sempre, necessariamente , alegria, divertimento, festa… mas quer dizer contudo que há uma alegria, com “A” maiúsculo, que está presente em tudo o que fazemos.”

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