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Nuvens negras sobre a Venezuela

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Nuvens negras sobre a Venezuela

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Pão a menos

O pão é um dos produtos mais atingidos pela crise na Venezuela, pois o país é inteiramente dependente da importação de trigo. É produzido menos pão e as pessoas passam horas em filas diante das padarias.

As empresas na Venezuela necessitam de divisas para poder adquirir a matéria-prima para produzir. A empresa norte-americana de produtos de higiene pessoal Kimberly Clark anunciou a suspensão “indefinida” da produção na sua filial em Maracay, por inviabilidade de aquisição de matéria-prima. Segundo o site da emissora Unión Radio, cerca de 200 trabalhadores diretos da empresa ficaram sem emprego.

“Fabricamos fraldas, toalhas de papel, produtos básicos de higiene pessoal, e a suspensão da produção atinge entre 5 a 6 mil famílias”, diz um dos trabalhadores, Wilmer Gutierrez..

Hospitais sem medicamentos

A deterioração da situação económica afeta igualmente as reservas de medicamentos. A Federação Farmacêutica da Venezuela (Fefarven) calcula em 98% a falta de medicamentos. Hospitais como este de Merida pedem aos pacientes que forneçam os medicamentos de que necessitam.

“Vi pacientes da área de cirurgia operatória e das urgências morrerem por falta de medicamentos”, diz o médico David Macineras. “Este ano morreram já cerca de 70 crianças por falta de antibióticos para tratar doenças como sépsis neonatal”.

Ricochete sobre Cuba

Nos últimos três anos, a taxa de mortalidade infantil aumentou 100 vezes na Venezuela. A degradação do sector da saúde pública constitui um grande desafio para o governo, que fez dos cuidados básicos de saúde uma das suas bandeiras políticas, em cooperação com médicos cubanos.

Cuba enviava para a Venezuela mais de 30 mil médicos e enfermeiros, em troca dos preços favoráveis concedidos por Caracas para o fornecimento de mais de metade do petróleo consumido pela ilha.

A redução nos fornecimentos de petróleo atinge a economia cubana. É principalmente graças a eles que a economia do país, em 80% estatal, consegue ainda não se afundar.

Em julho, Havana impôs às entidades públicas que não são produtoras de bens uma redução de 50% do consumo energético.

Jonathan Hernandez é técnico de refrigeração. A empresa onde trabalha foi igualemnte atingida pelos cortes: “Cortaram-nos metade do combustível como em todo o país. Não há outra saída senão aguentar. Nós, cubanos, estamos habituados.”

Cuba recebe 4% das exportações da Venezuela e depende disso para produzir electricidade a preços preferenciais. O governo planeia reduzir 28% do consumo até ao fim do ano.

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