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Ataques terroristas: Porquê a França?

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Ataques terroristas: Porquê a França?

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Em 18 meses, a França sofreu três ataques mortíferos reivindicados por grupos terroristas. Está ainda por esclarecer em que medida o ataque de Nice partiu de ligações a redes extremistas, mas o número de vítimas subiu a mais de 231 mortos e centenas de feridos.

Frente de guerra

Uma coisa é certa: a França combate militarmente o Daesh desde 2015 e cerca de 600 franceses partiram combater nas fileiras dos terroristas no Iraque e na Síria.

A França é o segundo maior contribuinte para as operações aéreas da coaligação internacional liderada pelos Estados Unidos contra o grupo Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

No Sahel, a França tem três mil e quinhentos soldados, envolvidos na operação militar Barkhane, implantada a partir de agosto de 2014 com a missão de combater grupos terroristas armados no Burkina Faso, Mali, Mauritânia, Níger e Chade

Entretanto o país tornou-se alvo dos terroristas, diz Peter Neumann, especialista em radicalização no King’s College de Londres:

“A França é por certo o país europeu mais exposto em termos de política estrangeira, de efetivos militares envolvidos em países muçulmanos”, salienta Neumann, lembrando que “a França é odiada não apenas como nação que é associada às Cruzadas, como outros países europeus, mas também porque é acusada de ter uma agenda anti-islâmica.”

No departamento francês de Alpes-Maritimes, do qual faz parte Nice, no final de 2015 estavam sob vigilância da Célula de Luta Contra a Radicalização 236 pessoas.

“O Departamento de Alpes-Maritimes é um dos principais fornecedores de jihadistas em França. A razão é simples. O sul da França, a região de Paris e a área de Lyon, eram territórios onde o FIS ( Frente Islâmica de Salvação ) e o GIA ( Grupo islâmico Armado ) da Argélia implantaram bases secundárias nos anos 90”, diz Yasmina Touaibia, docente de Ciências Políticas da Faculdade de Direito de Nice.

Islamista ou não

O autor do ataque de Nice, que deixou 84 mortos, era afinal um terrorista do Estado Islâmico que respondeu aos apelos dos extremistas, um depressivo psicótico, ou muito simplesmente um caso de “contágio” (copycat suicide ou Werther effect) como aqueles que estudou David Phillips em 1989 e mais recentemente Sherry Towers,da Arizona State University.

Por enquanto, as autoridades francesas não encontraram indícios claros de contato direto entre Mohamed Lahouaiyej Bouhlel e uma rede extremista. O procurador de Paris, François Mollins, afirmou esta segunda-feira que o ataque foi “premeditado”, e que as investigações mostraram que Bouhlel tinha pesquisado informação na Internet, entre 1 e 13 de julho, sobre os ataques terroristas em Orlando (Florida, Estados Unidos) e em Magnanville, nos arredores de Paris.

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