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Turquia: Comunidade International condena golpe, pede respeito pela democracia

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Turquia: Comunidade International condena golpe, pede respeito pela democracia

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A Comunidade Internacional condenou unanimemente a tentativa de golpe de Estado levada a cabo na Turquia na passada sexta-feira. No entanto, vários países e Organizações Internacionais mostraram a sua preocupação pelo que entendem ser uma situação de perigo para a democracia na República da Turquia, depois da anunciada “limpeza” do sistema político, administrativo, militar e judicial anunciado pelo presidente Recep Tayyip Erdoğan.

O presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou o golpe “hediondo” e desejou a vitória da “paz, estabilidade e unidade” na Turquia. O ministro brasileiro das Relações Exteriores, José Serra, apelou, por seu lado ao respeito pela ordem constitucional.

A tentativa de golpe, que deixa pelo menos 290 mortos, foi também condenada por Bruxelas. A representante europeia para a política externa, Federica Mogherini, e o comissário europeu Johannes Hahn, condenaram reafirmaram o seu apoio às instituições democráticas do país.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, respeito pelo Estado de direito” aos militares.

Uma Europa desconfortável

No entanto, a anunciada limpeza levada a cabo pelo presidente turco gerou críticas imediatas em vários países europeus. O ministro dos negócios estrangeiros francês, Jean-Marc Ayrault disse, em entrevista ao canal público de televisão francês France 3 que “um golpe de Estado não era um cheque em branco passado a Erdoğan” e que, se a Turquia queria realmente aderir à União Europeia (UE), teria de aceitar os princípios democráticos do bloco.

O Comissário Europeu da Energia, o alemão Guenther Oettinger, disse, por seu lado, que se Erdoğan utilizasse o golpe como motivo para limitar as liberdades democráticas na Turquia, mais não estaria a fazer do que afastar o país dos valores da UE e da NATO/OTAN.

Uma “limpeza” em curso na Turquia

A Turquia deteve cerca de seis mil pessoas, suspeitas de terem apoiado a tentativa de golpe de Estado militar no passado domingo, incluindo membros das forças armadas e juízes, garantindo, por outro lado, ter assumido o controlo das atividades políticas e económicas no país.

O presidente da república, o islamista moderado Recep Tayyip Erdoğan, acusou o antigo aliado, agora exilado nos Estados Unidos, o clérigo Fethullah Gülen, de tentar criar o que define como uma “estrutura paralela” ao sistema político e administrativo da República da Turquia, nomeadamente dentro das instituições da justiça, polícia, forças armadas e meios de comunicação social, com o objetivo de levar a cabo um golpe como o que falhou nas últimas horas.

Gülen que, desde o exílio nos Estados Unidos, rejeitou qualquer responsabilidade no sucedido e disse ainda acreditar que, na realidade, o golpe foi orquestrado pelo próprio Erdoğan.

Erdoğan informou ainda ter a intenção de pedir a extradição de Gülen aos Estados Unidos. Washington disse estar disponível para analisar o pedido sempre e quando Ancara apresente provas que fundamentem o pedido e que justifiquem a extradição.

O ministro do trabalho turco Suleyman Soylu, por seu lado, disse, ao canal de notícias Haberturk, acreditar que os Estados Unidos tinham tido um certo grau de influência na tentativa de golpe, acusação que o secretário de Estado norte-americano John Kerry descreveu como “totalmente falsa.”

Apoio da população nas ruas

Os apoiantes do presidente turco juntaram-se à porta da sua casa em Istambul para pedir a pena de morte para os autores do golpe, abolida em 2004, num esforço feito por Ancara para se aproximar da União Europeia. Erdogan disse à multidão que o pedido não poderia ser ignorado, porque, em democracia “o desejo das pessoas deve ser tornado realidade.” Erdogan pediu ainda à população que se mantivesse nas ruas, com bandeiras na mão, de forma a expressar repúdio contra a tentativa de golpe.

AKP, o amigo distante do exército turco

O Partido da Justiça e do Desenvolvimento do presidente Recep Tayyip Erdoğan, (AKP, pela sigla em turco, Adalet ve Kalkinma Partisi) tem vindo a manter relações marcadas por alguma tensão com o exército turco. O exército levou a cabo vários golpes para defender o secularismo na Turquia, embora não se tenha feito diretamente com o poder desde 1980.

Recep Tayyip Erdoğan goza da admiração de milhões de turcos por ter conseguido elevar o nível de vida da população e por ter imposto uma certa ordem nas atividades e desenvolvimento económico do país, marcado por várias crises desde a fundação da Turquia Moderna. No entanto, o posicionamento conservador de Erdoğan valeu-lhe fortes críticas de alguns setores, que o acusam, entre outras coisas, de tendências autoritárias, como foi o caso do que aconteceu durante as violentas repressões da polícia exercidad em 2013 sobre os manifestantes, quando a população saiu às ruas para pedir mais liberdade.

Durante a tentativa de golpe do passado domingo, as mesquitas do país apelaram às pessoas que saíssem às ruas para defender o presidente e o país.

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