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Turquia: Depois do golpe, a caça às bruxas?

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Turquia: Depois do golpe, a caça às bruxas?

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É hora de limpeza na Turquia. Três dias depois do golpe de Estado falhado, o governo realizou já uma vasta purga em todo o país. No espírito da punição exemplar prometida desde o primeiro momento, aos militares golpistas, pelo presidente Recep Tayyip Erdogan.

Na noite do golpe, na sexta-feira, o rumo dos acontecimentos inverteu-se rapidamente, depois de Erdogan, através das redes sociais, ter exortado os seus seguidores a enfrentar os militares revoltosos. Confrontados aos civis, os militares foram desarmados, detidos e alguns até linchados nas ruas.

É difícil de explicar porque razão, depois de um golpe que os serviços de segurança não souberam prever, se tornou tão fácil identificar rapidamente os autores ou presumíveis responsáveis.

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Entretanto, os apelos à pena de morte para os golpistas são música para o presidente Erdogan.

“Irmãos, enquanto representante do Estado e do governo, ouvimos a vossa vontade e não podemos ignorá-la. Em democracia, a vontade do povo é lei.”

A populaça pede as cabeças dos golpistas, e antes de mais daquele que é considerado o cérebro do golpe, Akin Ozturk, comandante das forças aéreas turcas entre 2013 e 2015 e uma das mais altas patentes entre os oficiais detidos.

A lista é longa. Cerca de um terço dos generais turcos foram presos. Entre eles, estão Erdal Ozturk, comandante do terceiro exército, e Adem Huduti, comandante do segundo exército. Foi detido também o coronel Ali Yazici, nomeado em agosto conselheiro militar do presidente.

Assim como Bekir Ercan Van, alta patente das forças aéreas, detido com um grupo de 12 oficiais na base de Incirlik, no Sul do país, de onde são lançados os raides aéreos da coligação internacional contra os jihadistas na Síria.

Uma demonstração de força impressionante, pela sua amplitude e rapidez. Que fortalece o poder de Erdogan, mas que pode ameaçar a estabilidade do país. Para já, as detenções na base de Incirlik preocupam Washington e a NATO.

Escapar ao mal, para morrer da cura

O presidente pode estar a jogar com um pau de dois bicos, pois está a fragilizar o exército quando o país enfrenta conflitos nas fronteiras com a Síria e com o Iraque e contra os separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

Especialmente porque esta purga não se limita sequer ao exército. No lote das detenções por suspeitas de envolvimento no golpe, há cerca de três mil juízes e procuradores. Cerca de nove mil funcionários do ministério do Interior foram afastados.

No funeral de vítimas mortais do confronto de sexta-feira, Erdogan voltou a prometer “limpar as instituições do Estado turco de todos os vírus”.

A Turquia escapou ao golpe, resta saber se sobrevive à cura.

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