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Rússia: Desporto ou a arte de "fabricar" medalhas

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De  Euronews
Rússia: Desporto ou a arte de "fabricar" medalhas

<p>Depois da <a href="http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2015/11/1704508-entenda-o-escandalo-de-doping-que-pode-tirar-o-atletismo-russo-da-rio-16.shtml">reportagem do canal alemão <span class="caps">ARD</span> em 2014 foi a vez do chamado relatório McLaren</a>, encomendado pela Agência Mundial Antidoping, divulgar as provas de um sistema de dopagem de Estado, levado a cabo pela Rússia. <br /> As provas mostram que, desde os Jogos Olímpicos de Sochi, 8000 amostras de atletas foram destruídas por ou com a conivência dos serviços secretos.</p> <p>A Rússia organizou também os Campeonatos do Mundo de Atletismo em 2013, os de natação em 2015 e os de esgrima em 2014 e 2015. A manobra durou cinco anos.</p> <p>“O sistema entrou em funcionamento após a deceção das autoridades russas quanto ao número de medalhas dos atletas do país nos Jogos Olímpicos de Inverno em Vancouver, em 2010 e funcionou até agosto de 2015”, revela o relator Richard McLaren.</p> <p>De acordo com o relatório, o sistema funcionava com destruição, falsificação ou ocultação, três métodos utilizados, por vezes, em simultâneo, da seguinte forma: <br /> 1. Antes dos jogos, os atletas forneciam amostras de urina, quando ainda não tinham ingerido as drogas para aumentar o rendimento desportivo;<br /> 2. As autoridades russas guardavam-nas no frigorífico; <br /> 3. A seguir, os atletas retomavam as drogas ilícitas;<br /> 4. Durante os jogos, os atletas eram obrigados a submeter-se a recolha de amostras de urina, através do controlo oficial independente;<br /> 5. As urinas eram desviadas do laboratório, durante a noite, por um esconderijo existente entre as salas e levadas por um agente do <span class="caps">FSB</span>, disfarçado de canalizador.<br /> 6. As tampas dos recipientes eram removidas de forma a não quebrar o selo e a urina contendo substâncias dopantes era substituída pela recolhida aos atletas antes dos jogos e sem vestígios de droga.<br /> 7. O frasco, contendo já uma urina limpa, voltava ao laboratório, onde o líquido seria, posteriormente, testado.</p> <p>O relatório McLaren identifica 30 modalidades desportivas gangrenadas por este sistema, entre as quais o Atletismo, a Halterofília, a Luta, a Canoagem, o Ciclismo, a Patinagem e, mesmo, o Futebol, entre outros. <script id="infogram_0_61885902-807b-4c17-b202-15b1ed9ac9da" title="Sochi: disappearing positive test results" src="//e.infogr.am/js/embed.js?VjJ" type="text/javascript"></script></p> <p>Segundo o relator, o documento não evoca as sanções a aplicar à Rússia:<br /> “A minha tarefa, o meu mandato, era para investigar e fornecer um relatório. Para encontrar factos, não era fazer recomendações e eu não fiz nenhuma. Não há recomendações no relatório. As informações constam do documento para que outros leiam, absorvam e decidam. Não me compete fazer recomendações e não as fiz”, afirma Richard McLaren.</p> <p>Na expetativa da decisão do Comité Olímpico Internacional e face aos <a href="https://www.theguardian.com/sport/2016/jul/19/former-olympians-call-for-total-rio-ban-for-russia-following-doping-report">apelos à exclusão dos atletas russos dos Jogos Olímpicos do Rio</a>, o Kremlin denuncia uma ingerência política no desporto e evoca o cenário de uma nova guerra fria – desta vez desportiva.</p>