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Nice: Muçulmanos de França receiam estigmatização

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Nice: Muçulmanos de França receiam estigmatização

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O ataque terrorista de Nice é mais um a juntar à lista dos atos que fazem crescer na comunidade muçulmana de França, o receio de crescimento da islamofobia. Muitos temem que os acontecimentos do 14 de julho intensifiquem as tensões entre as diversas comunidades e criem um conflito inter-comunitário.

“Nós somos reféns. A comunidade muçulmana é refém desta situação e os seus membros mais vulneráveis estão a ser envolvidos e utilizados na luta contra a França. E o facto de alguns mais vulneráveis estarem a ser utilizados como bombas humanas parece-me bastante credível”, afirmou o vice-presidente regional do Conselho Muçulmano, Boubeker Bekri.

Em Nice, a comunidade muçulmana foi amplamente atingida pelo ataque. Pelo menos 30 dos mortos pertenciam à comunidade tunisina residente em França. O terrorista era também ele de origem tunisina. Os representantes muçulmanos condenaram fortemente o que consideraram “atos ignóbeis” e pedem que não se misturem estes ataques com a comunidade de milhões de muçulmanos franceses ou residentes no país.

Uma cidadã muçulmana afirma: “A comunidade muçulmana precisa de acordar, erguer-se e dizer que não tem nada a ver com isto, que fazemos parte da comunidade francesa e que estamos contra o terrorismo, obviamente. Eu sinto que sou a principal vítima destes ataques e estou bastante triste por isso”.

Logo após os ataques de janeiro de 2015, François Hollande foi um dos primeiros a considerar os muçulmanos como as primeiras vítimas da intolerância: “Os muçulmanos são as primeiras vítimas do fanatismo, do fundamentalismo e da intolerância. O Islão radical alimenta-se destas contradições, de todas as influências, de toda a miséria, de todas as desigualdades”, afirmou, num discurso no Instituto do Mundo Árabe, em Paris.

Na pequena cidade de M’SAKEN, na Tunísia, terra natal do terrorista de Nice, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, os residentes, consternados, distanciam-se daquele a que chamam “um assassino que denegriu a imagem da terra e do país”.

Um habitante da cidade comenta: “Ele não pensou em atacar o Islão ou a França. Fê-lo contra si mesmo. Não pensou na mulher e nas filhas – tinha duas filhas e um filho – não pensou na mãe nem na família e também não pensou na reputação de M’saken.”

Mais do que nunca, após os acontecimentos horríveis do 14 de julho, em Nice, a comunidade árabe e muçulmana de França teme a estigmatização. Os muçulmanos são a segunda maior comunidade no país, a seguir aos cristãos – seis milhões e meio de pessoas -10% da população do hexágono.

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