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Entre Turquia e Alemanha, nada é como dantes

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Entre Turquia e Alemanha, nada é como dantes

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Como se a tensão existente não bastasse, o protesto a favor do presidente turco em Colónia aumentou ainda mais o mal-estar instalado entre a Turquia e a Alemanha.

A ideia inicial era assistir em direto a uma intervenção de Recep Tayyip Erdogan durante a manifestação. Mas as autoridades alemãs não o autorizaram. O ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag, escreveu no Twitter que a interdição foi uma “vergonha” para a democracia e que Berlim não se pode fazer valer de argumentos como “os direitos humanos” ou a “liberdade” para se referir a Ancara.

Muitos apoiantes de Erdogan denunciam um boicote alemão à chamada “purga”, iniciada após a tentativa de golpe de Estado, apontando o dedo ao adversário do presidente, Fehtullah Gülen.

“Há muitos media alemães que não acreditam no que se está realmente a passar na Turquia por causa da influência de Gülen. Eu diria a esses media para verificarem melhor as suas informações, antes de dizerem coisas sem sentido”, dizia-nos um deles.

Há cerca de três milhões de pessoas de origem turca a viver na Alemanha. A divisão é uma realidade: as sondagens dizem que 80% dos alemães não concorda com a purga, nem com as medidas que Ancara aplica e debate neste momento.

Segundo Steffen Seibert, porta-voz do governo alemão, “a posição da Alemanha e dos Estados-membros é muito clara: rejeitamos categoricamente a pena de morte. Um país que a aplique não tem lugar na União Europeia. A reintrodução da pena de morte significaria o fim imediato das negociações de adesão.”

Mas Ancara já fez saber saber que a opinião dos outros países não é para aqui chamada. A tensão não surgiu agora: o reconhecimento do Bundestag do genocídio do povo arménio gerou mesmo ameaças de morte a alguns deputados alemães.

Antes disso, tinha sido o cómico Jan Böhmermann a criar um sério incidente diplomático, depois de ter escrito um poema particularmente ácido sobre Erdogan. O presidente turco instaurou um processo judicial. Merkel distanciou-se do assunto.

O que poderá reaproximá-los? Não será seguramente o pedido que Ancara lançou a Berlim para extraditar apoiantes de Gülen.

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