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Kweku Adoboli: A culpa dos crimes financeiros também é dos bancos

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Kweku Adoboli: A culpa dos crimes financeiros também é dos bancos

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Com Reuters e Financial Times

Foi condenado a sete anos de prisão no Reino Unido, mas cumpriu apenas quatro, depois de ser considerado culpado pela maior fraude financeira na História do Reino Unido. Participa em conferências sobre a responsabilidade da banca, mas poderia vir a ser deportado.

Kweku Adoboli nasceu no Gana há 36 anos. Os riscos que tomou enquanto operador de mercados custaram ao banco para o qual trabalhava, o suíço UBS, mais de dois mil milhões de euros.

Foi condenado em novembro 2012 e, quatro anos depois, diz agora que nada parece ter mudado nas grandes instituições financeiras, que acusa de não assumirem as responsabilidades pelo comportamento dos traders e de incitarem os operadores de mercado a procurarem os lucros, custe o que custar.

Adoboli disse, em entrevista a uma televisão britânica, que os crimes cometidos por ele poderiam voltar a acontecer, pois muitos continuam a violar regras e a realizar operações muito para além dos limites de risco impostos.

O trader , banido de trabalhar em serviços financeiros, diz que as pessoas que conhece no meio batalham contra os mesmos obstáculos que conhecera:

“As pessoas mais novas com quem falei, antigos colegas, com quem falei, continuam a enfrentar os mesmos problemas, os mesmos conflitos e as mesmas pressões para aumentar lucros, sem olhar a meios.”

Numa entrevista dada ao Financial Times, em outubro de 2015, Kweku Adoboli disse que “ninguém no mundo das finanças entende o quanto está próximo do limite até o ter ultrapassado e depois de levar com um milhão de lentes de câmaras de filmar na cara.”

Durante o julgamento, o trader insistiu em que tudo o que fez foi para aumentar os lucros do banco UBS e que tudo fazia parte do que definiu como cultura de trabalho na instituição. Mas a acusação disse que Adoboli mentiu de forma deliberada para esconder as operações de mercado ilegais por ele realizadas.

O banco UBS foi multado em quase 39 milhões de euros por falhas nos sistemas de controlo. O julgamento foi, de certa forma, humilhante para a instituição, ainda que a justiça tenha rejeitado a tese do acusado, que defendeu ter sido autorizado, ainda que de forma tácita, a quebrar as regras para aumentar os lucros.

Risco de deportação

Adoboli não tem a nacionalidade britânica e poderia ser deportado do Reino Unido para o Gana. Está impedido de trabalhar em território britânico.

Um grupo de apoiantes lançou uma campanha de angriação de fundos no site FundRazr para ajudar Adoboli a financiar a longa batalha legal para permanecer no Reino Unido. Até ao momento, foram conseguidos mais de 13,500 euros.

Filho de um funcionário das Nações Unidas, o trader passou parte da infância no Médio Oriente, antes de se instalar no Reino Unido com a família, quando tinha 12 anos, onde frequentou o ensino privado. Confiante e trabalhador esforçado, depressa foi valorizado pelo UBS e selecionado para o programa Ascent para futuros líderes da instituição.

No entanto, a partir de 2008, começou com as práticas de operação de mercado fraudulentas, expondo o banco a riscos superiores a 12 mil milhões de euros em agosto de 2011, superando os limites de risco, na altura de menos de 100 milhões de euros por operações diárias.

Após ter pedido o controlo da situação, confessou, num email enviado ao banco, em setembro de 2011, a sua responsabilidade na situação, tendo sido depois detido pelas autoridades britânicas.

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