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Ser fã nos Jogos Olímpicos: a diversão do consumo que um bilhete paga

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Ser fã nos Jogos Olímpicos: a diversão do consumo que um bilhete paga

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Dia de Jogos olímpicos, domingo, um sol brasileiro a animar e oito finais para ver, da canoagem ao judo e ténis, incluindo o de mesa.

Vida de fã não é fácil, mas se fosse não era fanatismo.

Fazer o trajecto, alojar, alimentar, aceder ao local, esperar em filas, regozijar-se finalmente com o que motivou tudo isto e, por último mas não menos importante, não conseguir contornar o lado economicista dos desportivos Olímpicos.

Ser fã custa dinheiro e uma boa parte dele é investido no bilhete, como nos diz esta fã que contorna o site online oficial do Rio2020 para tentar recuperar o investimento feito em bilhetes que não vai poder usar por motivos pessoais: “Se os bilhetes não forem vendidos (no sítio oficial de revenda de bilhetes) no prazo, que é de 3 dias, os 3 dias passam, o bilhete não se vende, ficam com o bilhete e não se é reembolsado. Estou a tentar vender para não perder dinheiro.”

O dinheiro em causa por bilhete era de 85 euros (300 reais), com 4 bilhetes para venda.

A existência de um sítio online oficial pretende combater o mercado negro de ingressos para os eventos desportivos, mas o prazo curto e a perda total em caso de não concretização da venda não incentivam à transparência das transação, que se processa à margem de sítios oficiais, nas zonas exteriores aos acessos das provas.

O sítio online é explorado pelo país hospedeiro dos Jogos Olímpicos Rio2020 e não pelo Comité Olímpico Internacional.

De qualquer modo, entre não se recuperar o investimento na vontade cara de estar e ver, há modos de desanuviar o espírito e viajar para longe das preocupações financeiras sem se sair do lugar da diversão que se pagou por inteiro, como “é o caso da zona de “casas dos fãs”, que representam múltiplos países”:https://www.rio2016.com/es/noticias/las-casas-de-hospitalidad-en-rio-se-preparan-para-la-fiesta-durante-los-juegos-olimpicos-y-paralimpicos e que apareceram pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

Os fãs, como dois holandeses na “casa holandesa” de uma conhecida marca de bebida alcoólica que consomem no espaço, parecem gostar e alinhar no negócio: “Para nós é um bocadinho da nossa casa aqui no Brasil, é uma pausa, é ter a oportunidade de falar holandês um bocado porque tentámos falar Inglês todo o dia e ninguém nos percebia.”

Uma pausa num Brasil que parece monolingue, para beber a cerveja lá da terra. Parece bom negócio.

Nicolá Bideau, confirma. O embaixador da “casa da Suíça” diz que “o bom marketing tem boa visibilidade” e que o desporto pode ser uma celebração, mas é também “um meio de fazer negócio”. Vender montanhas e chocolates no meio do pôr-do-sol estonteante do Rio de Janeiro é, claramente, uma boa visibilidade para a Suíça.

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