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Japoneses aceitam abdicação de Akihito, mas conservadores temem pelo futuro da Casa Imperial

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Japoneses aceitam abdicação de Akihito, mas conservadores temem pelo futuro da Casa Imperial

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Com António Oliveira e Silva, Marco Lemos, Ricardo Figueira, Reuters e NHK

O Imperador Akihito do Japão disse aos cidadãos estar preocupado com o facto de que a sua idade possa impedi-lo de cumprir com os seus deveres como chefe de Estado da monarquia constitucional nipónica.

As palavras do Imperador, transmitidas numa das raras vezes em que se dirigiu aos japoneses através das câmaras de televisão, foram interpretadas pelos media japoneses, como o desejo de abdicar do trono, algo que nunca aconteceu na História do Japão moderno.

No entanto, o chefe de Estado japonês não disse claramente ter a intenção de abdicar, pois tal poderia ser interpretado pela opinião pública, pelo Governo e pela Dieta Nacional do Japão, a assembleia legislativa bicameral composta pela Câmara dos Representantes e a Câmara dos Conselheiros, como uma tomada de posição política, algo que a figura do Imperador não pode permitir-se.

Segundo a rede pública japonesa de radio e televisão, a NHK, o Imperador Akihito recebeu recentemente tratamento médico por causa de um cancro da próstata. A NHK também se referiu ao discurso do Imperador como sendo portador de “pistas” em relação ao seu desejo de abdicar.


A verdade é que, ultimamente, o chefe de Estado japonês tem limitado as viagens oficiais e as comparecências em público, transmitindo tarefas ao Príncipe herdeiro, Naruhito, de 56 anos. Akihito tem agora 82 anos e ocupa o trono desde 1989, altura em que sucedeu ao seu pai, o Imperador Hirohito, em funções durante mais de sete décadas.

Um Imperador querido pelo Japão

Akihito do Japão tem procurado, ao longo dos seus quase 30 anos de reinado, sarar as feridas deixadas pelos diferentes conflitos históricos entre o Japão e países vizinhos, como a China e a Coreia do Sul. Neste contexto, fez diferentes viagens oficiais ao estrangeiro, especialmente ao continente Asiático.

Buscou também aproximar a monarquia japonesa dos cidadãos, estando mais presente na esfera pública. Exemplo disso foi a visita às vítimas da catástrofe de Fukushima, em 2011.

Rumo a uma reforma constitucional?

Sondagens publicadas no Japão mostram que uma grande maioria dos japoneses aceita a opção do Imperador e o seu desejo de retirar-se.

A Constituição japonesa de 1947 define a figura do Imperador como um símbolo do Estado e da unidade do povo, sem que disponha, por outro lado, qualquer poder político.

Por outro lado, o documento, inspirado na Constituição de Meiji do século XIX, não contempla a possibilidade de que o Imperador venha abdicar, pelo que terão de ser feitas reformas.

Para Robert Campbell, professor de literatura japonesa na Universidade de Tóquio, a possível abdicação de Akihito representa toda uma uma transformação política e cultural que tem vindo a consolidar-se na sociedade nipónica:

“Essa mudança corresponde, em primeiro lugar, a uma mudança na sociedade japonesa. A forma como as pessoas agora encaram o trabalho, a vida e a carreira. A maioria das pessoas apoia esta decisão também graças a todo o esforço levado a cabo pelo Imperador durante o reinado.”

Mas a possibilidade de que Akihito venha a abdicar do trono provocou diversas críticas no círculo mais conservador do partido do primeiro-ministro Shinzo Abe, o Partido Liberal Democrata (conservadores).

Alguns membros do PLD temem pelo futuro da família imperial, rejeitando, sobretudo, as mudanças que possam resultar na possibilidade de que uma mulher aceda ao trono no Japão, uma possibilidade inaceitável para os mais tradicionalistas.

A única filha de Naruhito é uma menina, pelo que, caso este viesse a abdicar do trono ou morresse, seria o seu irmão, o Príncipe Akishino a assumir o trono e, depois dele, o seu filho Hisahito, agora com nove anos.

Um segundo discurso depois de 2011

Esta foi apenas a segunda ocasião em que o Imperador Akihito se dirigiu aos japoneses numa mensagem transmitida pela televisão. A primeira vez deu-se em 2011, após a crise nuclear de Fukushima que atingiu o nordeste do arquipélago.

Um acidente que aconteceu depois do intenso tremor de terra e de um tsunami que fustigaram a costa da região de Tohoku dia 11 de março de 2011. Segundo as autoridades japonesas, morreram quase 16 mil pessoas.

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