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Parque do Quénia coloca coleiras nos elefantes para estudar as deslocações das manadas

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Parque do Quénia coloca coleiras nos elefantes para estudar as deslocações das manadas

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No Quénia, uma organização de proteção da vida selvagem está a monitorizar um grupo de dez elefantes do parque nacional de Tsavo. Os animais são anestesiados e capturados e passam a envergar uma coleira que emite sinais de rádio.

A equipa de veterinários e cientistas quer conhecer o dia-a-dia dos elefantes para poder construir os chamados “corredores de vida selvagem”: túneis que permitem que os animais atravessem de forma segura estradas ou vias-férreas.

“O principal objetivo da monitorização dos animais é saber em que locais atravessam as estradas ou a linha de comboio que está a ser construída. Essa informação pode ser usada para planear a construção de passagens subterrâneas para os animais. Queremos perceber se as passagens subterrâneas ao nível da via-férrea que já foram construídas são eficazes e em número suficiente. Quando tivermos essa informação, poderemos começar a planear o futuro e criar locais de passagem noutras áreas”, explicou Benson Okita, da Organização Não Governamental Save the elephants.

O Qúenia assinou um contrato com a China para a construção de uma via férrea entre Nairobi e Monbassa, a segunda maior cidade do país. Uma parte da via atravessa o parque nacional de Tsavo e está a ser construída em altura, para que os animais possam passar por baixo.

De acordo com um recenseamento de 2011, no parque de Tsavo, vivem 12 mil elefantes. Os cientistas querem proteger os animais e as populações humanas e evitar que haja conflitos.

“Os elefantes destroem culturas. Queremos segui-los para evitar que passem por zonas perigosas. Se soubermos por onde andam podemos planear as coisas de forma segura, se for preciso deslocar os animais de um lado para o outro”, disse Robert O’Brien, diretor-adjunto do Serviço de Proteção da Vida Selvagem do Quénia.

Para capturar a fêmea que lidera a manada, os responsáveis do parque queniano utilizam uma espingarda de dardos tranquilizantes e um helicóptero.

A intervenção não está isenta de perigos para as pessoas e para os animais mas os cientistas acreditam que é importante recolher dados para que as autoridades possam planear novas infraestruturas sem por em risco a vida dos animais.

“É um exercício dispendioso. Cada coleira custa cerca de quatro mil dólares. Estamos a investir neste projeto para poder obter dados sobre o impacto das infraestruturas na vida selvagem e sobretudo na vida dos elefantes. No futuro, teremos dados científicos que poderão ajudar-nos na tomada de decisões”, explicou Sospeter Kiambi, coordenador do programa.

Estima-se que, no início do século XX, existissem cerca de 20 milhões de elefantes em África. Hoje a população não excede os 500 mil.

O maior mamífero terrestre do planeta está em risco de extinção. Os elefantes levam 22 meses para dar a luz. No Quénia, a mortalidade é superior à taxa de reprodução.

A urbanização das zonas selvagens, a caça ilegal, as mudanças climáticas são as principais causas da redução do número de indivíduos.

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