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O assédio sexual no trabalho na União Europeia

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O assédio sexual no trabalho na União Europeia

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Com Valérie Zabreski, Filipa Soares, António Oliveira e Silva e Reuters

O assédio sexual no local de trabalho existe em todo o mundo e a Europa não constitui exceção.

No Reino Unido, mais de metade das mulheres diz já ter passado por situações de assédio sexual no trabalho, de acordo com um estudo recentemente publicado pela confederação britânica de sindicatos, a TUC (pela sigla em língua inglesa, Trades Union Congress).

De acordo com o relatório, as mulheres mais jovens são especialmente vulneráveis a este tipo de agressões físicas ou verbais, particularmente entre os 18 e os 24 anos. Cerca de dois terços disse já ter passado por algum tipo de assédio sexual no local de trabalho.

Por assédio sexual no local de trabalho o estudo entende qualquer tipo de comentários ou observações considerados indecentes, qualquer tipo de toque considerado de natureza sexual ou inapropriada, mas, sobretudo, indesejado, ou o visionamento de pornografia, neste caso, no emprego.

Os resultados do inquérito foram publicados dias depois da Euronews ter emitido duas reportagens sobre o assédio sexual no programa Insiders.

Mais de uma em cada duas mulheres residentes na União Europeia disse ter passado por situações que consideram de assédio desde os 15 anos, segundo outro estudo, este da autoria da Agência dos Direitos Fundamentais (FRA, pela sigla em língua inglesa), da União Europeia.

Neste grupo de mulheres em particular, quase uma em cada três disse que essa situação aconteceu no local de trabalho e que foi da responsabilidade de um colega, de um superior hierárquico ou mesmo de um cliente.

Mulheres com maior nível educacional enfrentam mais riscos


Um dos aspetos mais importantes parte do relatório da FRA, e que não surge no inquérito apresentado pela TUC britânica, é o facto de que uma mulher com um nível educacional mais elevado, como um diploma universitário, tenha mais probabilidades de sofrer assédio sexual no trabalho do que uma mulher com qualificações inferiores.

Segundo o estudo publicado pela União Europeia, 69% das mulheres com estudos superiores diziam ter passado por situações de assédio sexual no trabalho. No entanto, a percentagem é inferior no caso das mulheres com educação básica e secundária ou formação técnica, com 46%.

Joanna Goodey, diretora do departamento de liberdade e justiça da FRA, disse, numa entrevista com a Euronews que à medida que as mulheres avançam nas hierarquias dos locais de trabalho, vão enfrentando ambientes normalmente dominados por homens.

Por isso, “se uma mulher trabalhar, por exemplo no setor dos negócios ou finanças e se chegar ao cargo de diretora, irá confrontar-se com os papéis de género tradicionalmente estabelecidos”.

“Pode ser que trabalhe também com mais homens do que mulheres, o que faz com que o risco de violência aumente,” disse Goodey à Euronews.

A situação na União Europeia


*França apresenta os piores resultados no que diz respeito ao assédio sexual sofrido pelas mulheres com estudos superiores.
*Mais de 90% das mulheres francesas dizem já ter passado por algum tipo de assédio desde os 15 anos
*No caso de Portugal, o número é igualmente elevado, embora menos significativo do que em França.
  • Pelo menos 47% das mulheres respondeu já ter passado por assédio sexual desde os 15 anos.
  • Os valores são também particularmente preocupantes em países europeus tradicionalmente considerados como mais avançados, como a Suécia (89%), a Alemanha (82%), ou a Bélgica e o Luxemburgo (80%).

O que pode ser feito?


Para Joanna Goodey, tudo é uma questão de formação e de educação. As pessoas deveriam conhecer o problema e as leis que começam a ser criadas para punir quem adota este tipo de atitudes.

Outro problema é o facto de que muitas vítimas prefiram não apresentar queixa, seja por vergonha ou por medo a represálias no local de trabalho, por exemplo.

O estudo apresentado pela confederação britânica de sindicatos, a TUC, chegou à conclusão de que quatro em cada cinco mulheres se manteve em silêncio e não falou com nenhum superior hierárquico ou com o departamento de recursos humanos no local de trabalho. A mesma situação acontece em outros países europeus.

Para Alice Hood, especialista em temas de igualdade de género na confederação sindical britânica, a TUC, as entidades empregadoras têm também um papel importante no combate ao assédio sexual no trabalho.

Para Hood, muitas mulheres temem não ser levadas a sério, pelo que é necessário que as pessoas sejam formadas e educadas no local de trabalho e que se implementem medidas no sentido de uma mudança de atitudes coletivas.

“Pode ser que o problema ocorra através de emails ou das redes sociais, mas não deixa de ser assédio e continua a ser muito humilhante para quem o sofre,” disse Hood à agência Reuters.

Iniciativa legislativa em Portugal: O que mudou?


Portugal implementou recentemente a possibilidade de pena de prisão para quem profere piropos abusivos e comentários de cariz sexual. Os alvos, já se sabe, costumam ser mulheres, muitas vezes bastante jovens. Será que a noção de que o piropo passou a ser crime é correta? Têm os portugueses consciência das prorrogativas que passaram a ter?

A Euronews esteve no Porto para saber mais sobre o assunto:

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