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Rio216: Dias difíceis para os atletas russos

Desportistas russos têm sido vaiados nos Jogos do Rio, depois de ter sido publicado um relatório que acusa Moscovo de envolvimento num esquema de dopagem de atletas profissionais.

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Rio216: Dias difíceis para os atletas russos

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Com António Oliveira e Silva, Filipa Soares, Marco Lemos, TV2 e France Télévisions

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"Pensava que a Guerra Fria já tinha acabado."

Yulia Efimova Nadadora russa, medalha de Ouro, Rio2016

Não tem sido fácil ser russo e atleta olímpico estes dias na cidade carioca. Muitos dos desportistas que representam a Federação Russa são recebidos com protestos e vaias por parte do público durante as provas nos Jogos do Rio de Janeiro, ou mesmo durante a cerimónia de entrega de medalhas.

Foi exatamente o que aconteceu com Yulia Efimova, uma das atletas supostamente envolvidas no esquema de dopagem mencionado no relatório McLaren, da responsabilidade da Agência Mundial Antidopagem, a WADA (pela sigla em língua inglesa.)

Efimova foi vaiada pelo público ao chegar à piscina para a prova dos cem metros bruços. Numa entrevista à brasileira Rede Globo momentos depois da prova, disse que tinha sofrido e que ao chegar ao Rio de Janeiro, nem sabia se iria ou não conseguir participar. Fez ainda um comentário sarcástico:

“Pensava que a Guerra Fria já tinha acabado.”

Russos rejeitam o estigma


A delegação russa acha que as medidas adotadas até ao momento pelas diversas instituições internacionais que regulam a atividade desportiva e as competições olímpicas são injustas e demasiado duras.

Acham que igualmente injusto é o tratamento que tem vindo a ser dado ao assunto, à Rússia e aos seus desportistas por parte dos meios internacionais.

Na Casa da Rússia, no Rio de Janeiro, desportistas e convidados queixam-se das acusações constantes e do assédio que dizem sofrer desde o início dos jogos.

Alguns entrevistados pelo canal de televisão dinarmaquês TV2 que pediram que os outros países sofram o mesmo tipo de castigo.

É o caso de Svetlana Khorkina, medalhista olímpica russa, para quem o comportamento do público tem sido “inaceitável e pouco ético”, porque “destrói o espírito olímpico”, que tem “mais de cem anos.”

Para Svetlana Krilova, uma convidada na Casa da Rússia, o problema é que “estão a ser misturados deporto e política.”

“Os atletas russos trabalharam muito, pelo que não devem ser punidos de forma tão dura. Nesse caso, todos os outros países deveriam ser punidos”, defendeu Krilova.

Decisão polémica do COI



O Comité Olímpico Internacional (COI ou IOC, pela sigla em língua inglesa) tinha decidido, depois de conhecido o relatório McLaren, deixar nas mãos das federações internacionais das diferentes modalidades a decisão acerca do lugar dos desportistas russos nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016.


Uma decisão polémica e fortemente criticada por associações desportivas nacionais e federações internacionais. O presidente Thomas Bach, no entanto, defendeu que era decisão mais justa e a possível quando faltavam tão pouco tempo para os Jogos.

A delegação russa acabou por ser autorizada a enviar 271 atletas, mas houve 67 que ficaram de fora por decisão de uma das associações internacionais.

Associação Internacional das Federações de Atletismo manteve expulsões


A Associação Internacional das Federações de Atletismo, a IAAF, baniu todos os atletas de participarem em provas internacionais. Quando faltavam apenas três dias para o início das provas, Sebastien Coen, o presidente da organização, disse aos media que o seu desejo era “ajudar os atletas russos”:

“A Rússia deixou ficar mal os atletas do país. Não banimos os atletas. O que se passou foi um exagero na proteção desses mesmos atletas e o nosso objetivo passa, a partir de agora, por reintegrar a federação russa de atletismo e os atletas russos nas competições.”

Apenas uma atleta na modalidade, Darya Klishina, viu autorizada a sua participação nos Jogos, segundo o presidente do Comité Olímpico Russo, Alexander Zhukov.