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Realidade virtual seduz criadores de jogos independentes

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Realidade virtual seduz criadores de jogos independentes

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Os sistemas de realidade virtual da Sony, da Oculus Rift e da HTC estão a chamar a atenção das grandes marcas de videojogos e, sobretudo, a seduzir os criadores de jogos independentes.

O recente evento do EGX Rezzed, que teve lugar em Londres, atraiu programadores independentes de vários países, que apresentaram as novidades mais recentes no campo da realidade virtual.

Para os entendidos na matéria, o importante, para os que trabalham fora das grandes produtoras, é aproveitar a nova tendência. “Há um grande interesse na realidade virtual. E, como sempre, os criadores independentes desenvolvem os produtos mais interessantes. Há projetos pequenos muito criativos e pouco habituais. E quanto mais populares se tornam os óculos de realidade virtual, mais jogos serão produzidos por criadores independentes em vez das grandes marcas”, diz Jon Hicks, especialista de videojogos.

É o caso de “Blind”, o mais recente jogo da produtora italiana Tiny Bull Studios. O jogador será, neste caso, uma jovem mulher que acorda numa casa desconhecida sem memória e sem visão. Terá de explorar o que o rodeia através dos sons. As ondas de som vão revelando a paisagem e o que o rodeia, aparecendo e desaparecendo.

Os fundadores da empresa italiana, Tiny Bull e Matteo Lana, optaram por explorar outros sentidos da realidade virtual em vez de elaborarem uma paisagem atraente. Lana explica: “Claro que é estranho ser-se cego em realidade virtual. Mas o jogador tem outras capacidades, como o usar o eco para localizar-se. Pode navegar no mundo à sua volta através do som. O desafio é que os jogadores usem os outros sentidos. Estamos a contar com um feedback do tacto do jogador e, claro, da capacidade auditiva”.

Também Richard Bang, designer de jogos e programador no estúdio de jogos independentes “Freekstorm”, diz que há imensas possibilidades à espera de serem exploradas pelos fabricantes de jogos no mundo virtual. “O mundo virtual permite aos jogadores estarem mais imersos no ambiente de jogo. Quando jogam, esquecem-se de que o mundo real existe. Não existem fronteiras no ecrã de jogo. O jogo envolve-os”.

“Freekstorm”, sediado no Reino Unido, apresentou a sua própria criação de realidade virtual “Doctor Kvorak’s Obliteration Game”. Trata-se de uma aventura de puzzles em 3D para ser jogada individualmente. O jogador tem de controlar três personagens, cada uma com um poder especial. Juntos, devem vencer a astúcia do Doutor diabólico que enlouqueceu e que controla agora o reality show televisivo intergaláctico.

“A vantagem de ser um criador independente é poder fazer qualquer coisa. Não estamos vinculados a grandes orçamentos. Não temos de jogar pelo seguro. É normal ver pessoas a tentar coisas novas. É a nova fronteira do jogo. Ninguém sabe o que funciona ou não. Temos todos de ir experimentando e ver o que realmente resulta”, refere Bang.

Algo completamente diferente está a ser apresentado pelo Application Systems Heidelberg, um fornecedor de jogos alemão. “Carpe Lucem” é um quebra-cabeças que faz florescer flores com o poder de raios de luz.
Através de comandos de realidade virtual, os jogos conseguem orientar e ajustar os raios de luz com as mãos. “Queríamos criar uma experiência inicial calma em realidade virtual. Não queremos deixar as pessoas maldispostas. É um jogo calmo, propenso à meditação, sem qualquer pressão”, diz Ritzhaupt, o diretor do Application Systems Heidelberg.

Este ano, o EGX Rezzed foi o maior encontro da história do evento. Foram apresentados mais de 160 jogos.
O sistema de realidade virtual da Sony, os PlayStation VR, já está disponível para os consumidores portugueses, em loja e online.

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