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França: A crise do leite opõe produtores a industriais

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França: A crise do leite opõe produtores a industriais

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Foi a 1 de abril de 2015 que o movimento de descontentamento dos produtores de leite europeus começou a crescer. E não era mentira. Era o fim das quotas leiteiras, que vigoraram durante 30 anos na União Europeia e os produtores temiam já a situação por que passam neste momento.

Os subsídios à sobreprodução, para garantir os preços do leite e a sobrevivência dos produtores sem relação direta com os níveis de consumo de cada país, levaram a que, com o final desta política , os produtores não tenham meios para competir num mercado agora aberto à concorrência.

“Com o fim do sistema de quotas, já não há ganhos para os produtores. Tanto faz que tenhamos 50 ou 500 vacas”, queixa-se um agricultor.

A vice-presidente do European Milk Board, Sieta Van Keimpema, afirma:
“A percentagem de agricultores, jovens agricultores abaixo dos 35 anos na Europa é de 6%. Não temos nenhuma perspetiva. Os agricultores precisam de se projetar e precisam de sistemas de regulamentação do mercado para que, em situações de crise, possam abrir-se diretamente ao mercado e garantir que a crise não será longa nem profunda, porque de outra forma terão que abandonar as explorações”.

Mas nem todos os produtores de leite europeus podem projetar-se num mercado livre. Muitos estão presos a contratos industriais com multinacionais como a Lactalis. Contratos impostos pelos estados membros que tinham como objetivo protegê-los em tempo de quotas leiteiras.
Presos a esses contratos, estão agora sujeitos aos baixos preços que lhes impôe uma indústria que tem o mercado livre e faz funcionar a concorrência.

“Nós estamos a perder cerca de 110 euros por tonelada de leite. Agora pagam-nos 270 euros, quando no passado pagavam 380 euros por tonelada. Não podemos continuar a brincar com os produtores de leite como tem sido feito no último ano”, explica Roger Violant, um produtor francês.

Em Portugal, o preço pago aos produtores caiu 16% entre abril de 2015 e abril de 2016, segundo a Associação Nacional dos Industriais de Laticínios (ANIL).

A Comissão Europeia quer incentivar a exportação para fora da União Europeia, particularmente para a China. Bruxelas previu uma linha de ajuda de 500 milhões de euros. Mas, os produtores franceses protestam contra o desequilíbrio entre o preço na produção e as margens de lucro crescentes do setor da distribuição. Já que o consumidor paga o leite cada vez mais caro.

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