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Acordo de Paz com as FARC só já precisa do "sim" dos colombianos

Foram precisos quatro anos de negociações difíceis para um acordo que acabe com 52 anos de guerra civil.

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Acordo de Paz com as FARC só já precisa do "sim" dos colombianos

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Foram precisos quatro anos de negociações difíceis para um acordo que acabe com 52 anos de guerra civil. Foi em Havana, com a mediação de Raúl Castro, que a Colômbia obteve o tão desejado compromisso com as FARC – as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia -, o principal ator de uma guerra que corroe o país.

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""As FARC vão deixar de existir e vão tornar-se num movimento político sem armas""

José Manuel Santos Presidente da Colômbia
“ As FARC vão entregar as armas às Nações Unidas, num calendário que já foi anunciado e que dura seis meses. Tudo isto, como é sabido, será verificado por uma comissão das Nações Unidas. Isto significa que as FARC vão deixar de existir e vão tornar-se num movimento político sem armas”, anunciou o presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

Em Bogotá, o anúncio fez sair às ruas milhares de pessoas em manifestações de alegria. Muitos, de bandeira em punho, como Ana Maria Salamanca, saúdam uma paz tanto esperada:
“Penso que é um momento histórico. Dá-nos a possibilidade de sonhar, de começar a construir e tornar real aquilo pelo qual tantas pessoas se bateram, a paz, a não violência a resolução dos conflitos de outra forma que não seja pelas armas”.

O processo de paz foi longo e fracassou em três ocasiões – 1984, 1991 e 1999 -. Desta vez foi possível chegar a entendimento sobre os dossiês cruciais do desarmamento da guerrilha e da transformação do movimento em partido político, mas também da reintegração social ou julgamento dos seus membros, em função dos crimes ou delitos que lhes são imputados. Tudo isto, supervisionado em simultâneo pelo governo colombiano, as hierarquias das FARC e as Nações Unidas.

O acordo, que começou a ser negociado em 2012, em Havana, sob a égide de Cuba e da Noruega, com o acompanhamento do Chile e da Venezuela alcançou a forma decisiva em junho passado.

Para se concretizar, o projeto precisa da aprovação no referendo previsto para 2 de outubro. As primeiras sondagens indicam que assim será, embora conte com muitos opositores.

O fim das FARC não significa, no entanto, o fim do conflito armado na Colômbia – onde o Exército de Libertação Nacional e os grupos criminosos continuam a desafiar o governo – mas é um passo fundamental.

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