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"Festa de praia" em Londres contra proibição do "burquini" em França

Dezenas de mulheres reuniram-se diante da embaixada francesa, na capital britânica, e pediram o fim da proibição do fato de banho islâmico. O autarca londrino também critica imposição francesa.

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"Festa de praia" em Londres contra proibição do "burquini" em França

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Um género de festa de praia, com areia, boias e tudo o mais, exceto a água, foi a forma encontrada por dezenas de mulheres para se manifestarem esta quinta-feira em Londres contra a controversa proibição do uso de “burquinis”, uma adaptação da burca na forma de um fato de banho de corpo inteiro, em algumas praias do sul de França. O curioso e bem-disposto protesto decorreu diante da embaixada francesa, na capital britânica.

Jenny Sutton, professora no colégio do nordeste de Londres, participou no evento porque considera “ultrajante que as mulheres muçulmanas sejam forçadas a despir-se em público pelas forças policiais”, numa referência ao sucedido terça-feira na praia junto ao Passeio dos Ingleses, em Nice, onde a polícia obrigou uma mulher a despir parte do vestuário que envergava por alegado desrespeito aos bons costumes e ao secularismo francês. “Para mim, aquilo foi um ataque ao direito de todas as mulheres de escolher o que querem vestir”, acusou Jeny Sutton.

A manifestação em Londres aconteceu ao mesmo tempo que, em Paris, era discutido em Conselho de Estado o recurso apresentado pela Liga de Direitos do Homem contra a islamofobia em França e a proibição do uso do “burquini” pela autarquia de Villeneuve-Loubet, na Côte d’Azur, um dos mais de trinta municípios gauleses a decretar esta proibição justificada com a laicidade prevista na Constituição francesa. O próprio governo de França esta dividido, com a ministra da Educação, Najat Belkacem, a considerar que as regras antiburquini reforçam as opiniões racistas. “É um desvio político grave”, acusou.

“Estamos solidárias com as mulheres muçulmanas em França e apelamos ao fim da proibição”, resumiu India Thorogood, uma das coorganizadoras do manifesto londrino. Também o presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, revelou pelas redes sociais estar contra a proibição do “burquini”: “Sou muito claro em relação a isto. Penso que ninguém pode dizer a uma mulher o que ela pode ou não pode vestir.”

Resta saber se este protesto britânico vai ter eco na decisão a ser revelada esta sexta-feira pelo Conselho de Estado, em França.