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Revolta de centenas de migrantes em campo de refugiados na Grécia

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Revolta de centenas de migrantes em campo de refugiados na Grécia

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Os mais de 500 migrantes alojados no campo de refugiados de Katsikas, no norte da Grécia, decidiram esta sexta-feira abandonar o local e encenar um protesto no centro da cidade contra a falta de condições humanitárias naquele centro de acolhimento. Antes, já enviam endereçado uma denúncia escrita às entidades responsáveis pela gestão do campo.

De acordo com José Nuñez, colaborador do serviço espanhol da euronews que passou há poucos meses uma temporada no campo de refugiados de Katsikas e mantém contacto frequente com responsáveis de diversas ONG no local, os migrantes não aguentam mais a indiferença da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Após uma reunião realizada esta manhã com representantes do organismo e de outras entidades oficiais (foto em baixo), decidiram tomar uma posição forte.

Mulheres, crianças e pessoas com deficiências motoras integraram o vasto grupo que abandonou o centro de acolhimento, onde uns esperavam a oportunidade para pedir asilo, respostas a pedidos de asilo na Grécia ou a autorização para prosseguir viagem rumo ao centro da Europa.

O grupo de manifestantes rumou às ruas da cidade de Katsikas, empunhando cartazes onde reclamavam, por exemplo, “mais segurança” para as crianças e “melhores casas”, acusando o “silêncio” das entidades competentes como mortal.

Veja as imagens na fotogaleria em baixo:

Katsikas refugees protest

Uma queixa formal foi também apresentada junto do Ministério grego para a Política de Migração, à polícia e ao Ministério da Defesa, denunciando a falta de resposta da ACNUR, que gere o centro, e também da Organização Internacional para a Migração (IOM), que dá apoio à gestão do campo, aos pedidos efetuados “há meses” por “condições de alojamento dignas” e nomeadamente às “repetidas petições para que substituíssem as atuais tendas por contentores.”



(Refugiados de Katsikas, em Ioannina, abandonaram em massa
protestando contra as horríveis condições — este é provavelmene o pior campo da Grécia.)

Em entrevista a Manuel Terradillos, o jornalista do serviço espanhol da euronews, uma responsável de uma das ONG a trabalhar no centro de acolhimento de Katsikas, que preferiu não se identificar, acusa por exemplo a Oxfam, uma confederação de organizações humanitárias de luta contra a fome e a pobreza, de ter demorado 3 meses a instalar as casas de banho para uso das crianças no centro assim como os duches de água quente e de não ter providenciado os necessários produtos de higiene.

Os migrantes acusam também as autoridades de “mentir ao lhes dizerem desde março que os vão transferir para outros edifícios, que ainda nem sequer começaram a renovar, e de não atenderem a nenhuma das propostas de melhoria” do campo, revelou a responsável.

“Ninguém quer assumir as responsabilidades. Todos — instituições e as grandes organizações — passam a bola de uns para os outros e isto causa desinformação e carência de recursos básicos. Sempre que chove, o campo fica inundado e ninguém reage a não ser os voluntários”, acusa a nossa interlocutora, prosseguindo: “a comida que lhes dá o exército é má, todos os dias há quebras de eletricidade duas ou três vezes, as tendas não são impermeáveis e as temperaturas são extremas entre o frio e o calor.”



(Todos os refugiados em Katsikas (Grécia) abandonaram o campo para reclamar condições de vida humanas.)

A responsável conta-nos que apenas uma iniciativa de melhoria de condições foi iniciada, mas não ao encontro dos desejos dos migrantes. Começaram a substituir algumas tendas existentes por outras maiores, mas “os migrantes exigem caravanas, não querem tendas”. “Eles não querem que os filhos morram de frio e que seja apenas aí que as autoridades tomem medidas como já sucedeu noutros campos no Líbano”, contou-nos, revelando ainda haver “assédio às crianças”. “Há mil problemas”, concretiza.

Para que os migrantes voltem ao campo, a responsável com quem falámos diz que é necessário antes de mais instalar “contentores climatizados e depois logo se parte para outros problemas”. “As entidades responsáveis pelo campo (ACNUR e IOM) devem assumir as responsabilidades, revelar vontade de cooperação e proatividade. Devem olhar as pessoas como seres humanos e não como beneficiários recetores de recursos”, concluiu a responsável.

Até ao momento, as entidades visadas ainda não reagiram às denúncias e exigências dos migrantes. O protesto prossegue em Katsikas.

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