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Morreu a escritora Maria Isabel Barreno (1939-2016), uma das "três Marias"

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Morreu a escritora Maria Isabel Barreno (1939-2016), uma das "três Marias"

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A escritora e investigadora Maria Isabel Barreno morreu este sábado, aos 77 anos, confirmou à Lusa a escritora Maria Teresa Horta, sua amiga e coautora, com Maria Velho da Costa, das “Novas Cartas Portuguesas”.

Nascida em Lisboa a 10 de julho de 1939 e licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a feroz defensora dos direitos das mulheres ficará para a história como uma das “Três Marias”, nome por que ficou conhecido o processo em que foram julgadas, durante o Estado Novo, pela escrita da obra de alegado “teor pornográfico”, publicada em 1971.

Ao fim de mais de dois anos, o julgamento, acompanhado de perto pela imprensa internacional, terminou com a absolvição das três escritoras, já após a Revolução de 25 de Abril de 1974, e a obra passou a ser encarada não só como um tratado sobre os direitos das mulheres em Portugal mas, mais que isso, como “um libelo contra todas as formas de opressão”, como a descreveu a escritora Ana Luísa Amaral em 2010, quando a obra foi reeditada pela Sextante, com anotações suas.

Trabalhou no Instituto Nacional de Investigação Industrial, foi jornalista e Conselheira Cultural para o Ensino do Português em França e publicou 24 títulos, entre romance e investigação na área da Sociologia.

Recebeu diversas distinções, entre as quais o Prémio Fernando Namora, pelo romance “Crónica do Tempo” (1991), e o Prémio Camilo Castelo Branco e o Prémio Pen Club Português de Ficção, pelo livro de contos “Os Sensos Incomuns” (1993), e em 2004 foi feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

“Vozes do Vento”, sobre a história dos antepassados do seu pai em Cabo Verde, foi o último romance que publicou, em 2009, após uma pausa de 15 anos na escrita durante a qual desenvolveu atividades noutros campos artísticos, nomeadamente as artes plásticas, com várias exposições de desenho e tapeçaria. Depois, em 2010, editou ainda o livro de contos “Corredores Secretos (seguido de “Motes e Glosas”)”.

Maria Isabel Barreno será cremada no domingo, às 17:00, no cemitério dos Olivais

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