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Bear Grylls, aventureiro: "Entrar no próximo 'James Bond'? Nunca diga nunca..."

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Bear Grylls, aventureiro: "Entrar no próximo 'James Bond'? Nunca diga nunca..."

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Bear Grylls foi o mais jovem britânico a escalar o Monte Evereste. Tornou-se um nome incontornável quando se fala em aventuras arriscadas ou em técnicas de sobrevivência arrepiantes. Já bebeu a própria urina e dormiu dentro do cadáver de um camelo. Tudo para sobreviver.

Apresentador de programas de aventura em canais de televisão de mais de 200 países, tem diversos livros publicados e vários contratos publicitários. A agenda é planeada ao minuto, mas com sorte, Joanna Gill conseguiu encontrar um espaço entre as filmagens da mais recente campanha para a Land Rover, na qual Grylls voltou a sentir o medo de saltar de paraquedas.

 

Factos e dados pessoais

  • Nome: Edward Michael Grylls (recebeu a alcunha “Bear” da irmã ainda em bebé);
  • Nascimento: 7 de junho de 1974 (42 anos), em Donaghadee, Irlanda do Norte;
  • Recorde: Em 1998, com 23 anos, tornou-se no alpinista mais jovem a escalar o Evereste;
  • Apresenta programas de TV vistos por 1,2 mil milhões de pessoas em mais de 200 países;
  • O livro “Lama, Suor e Lágrimas” foi votado como o mais influente na china, em 2012;
  • Entre os seus heróis estão Robin dos Bosques, o pregador João Batista e o explorador “sir” Ranulph Fiennes.

A jornalista da equipa de língua inglesa da euronews entrevistou “o homem” que ela descreveu como “a pessoa que qualquer um gostaria de ter ao lado se se estivesse perdesse num território selvagem”, é um aventureiro que “liderou expedições do Ártico à Antártida.”

Joanna Gill, euronews: Paraquedismo é uma atividade perigosa. Admitiu há tempos ser algo que ainda o assusta por causa do acidente sofrido em 1996. É verdade?
Bear Grylls:
Saltar de paraquedas é, sem dúvida, uma das coisas mais difíceis para mim. Como saberão, fraturei as costas em três sítios. Passei um ano a entrar e sair da reabilitação militar. Não seria humano se agora ao abrir a porta do avião e olhar para baixo, não sentisse um pouco de medo.

É conhecido por algumas aventuras extravagantes. Esteve, por exemplo, no topo do Evereste sozinho. Nas aventuras em que entrou, para além das equipas de filmagem, se as pudesse partilhar com alguém, com quem seria?
Penso que o cume do Everest foi especial. Foi um verdadeiro momento. O meu pai morreu pouco tempo depois e teria sido fantástico se tivéssemos estado lá os dois. Lembro-me de estar no topo daquela montanha, a chorar dentro da máscara. Em parte por causa do acidente que tinha sofrido e dos médicos, na altura, não saberem se eu iria conseguir voltar a andar devidamente. E também por aquela voz que nunca acreditou verdadeiramente que eu o poderia fazer e que eu calei. Eu sabia que aquilo significava muito para o meu pai. Ele estava orgulhoso. Viveu para ver aquilo e teria adorado tudo isto. Foi a pessoa que me fez gostar da aventura e de ir à lutar pelas coisas.

Fez a fortuna a redefinir a masculinidade e já nos confessou ter chorado no topo do Evereste. Revela alguma coisa sobre estas aventuras. De que modo, isso define a virilidade?
Ser homem é apenas sermos nós próprios. É o mesmo com as mulheres. É tudo uma questão de autenticidade, de sermos apenas nós e não ter medo de mostrar os nossos defeitos, as nossas lutas interiores, as nossas dúvidas assim como as nossas qualidades. As partes boas e as partes más. As lágrimas e tudo isso vão fazer sempre parte da nossa vida… Qual é que era mesmo a pergunta?

A sua redefinição da masculinidade no mundo moderno…
Isso, dito assim, parece demasiado. Não penso que o faça. Apenas tento fazer o que gosto e defendo que é bom mostrar o que sentimos, é bom lutar pelas coisas. É uma luta que nos torna mais fortes. É assim que tento trabalhar. Se isso é masculinidade, então, ótimo. Mas nem tudo é sobre masculinidade ou feminilidade. É apenas sobre sermos nós mesmos e percebermos que isso é mais importante do que a aparência.

Teve a chance de ir com o Presidente Obama para um glaciar, no Alasca, e isso serviu para chamar atenção para as alterações climáticas. É algo que o preocupa?
Penso ser algo que nos preocupa a todos. Temos apenas um planeta, por isso temos de protege-lo e de cuidar dele. É fantástico termos um presidente dos Estados Unidos que tem essa prioridade na agenda e fazer alguma coisa que perdure.

O que é que mais o surpreendeu em Obama?
Acho que ele é uma pessoa normal. Bem sei que toda a gente é normal e a minha mãe disse-mo de antemão. Quando eu estava nervoso, ela disse-me: ‘Toda a gente veste as calças uma perna de cada vez’. Iria ser apenas uma pessoa normal e, de facto, foi. Há aquela máquina que o rodeia, os serviços secretos, o ‘Air Force One’ e toda aquela loucura, mas como ser humano ele foi incrível. Muito centrado na família, um homem de fé, trabalhador, humilde, inteligente. Passei a ser um verdadeiro admirador.

Disse que teria adorado ter levado também Donald Trump antes da corrida presidencial. Como lhe parece que ele se sairia numa aventura de 48 horas?
Aprendi a nunca julgar um livro pela capa. Como é que ele se sairia? Tenho a certeza que bem. Todos nós temos um pouco de ego e tentamos sempre deixar isso um pouco para trás, mas… há coisas que nunca sabemos como vai ser até levarmos estas pessoas para longe. Seria certamente uma aventura.

Qual foi o mais engraçado que já ouviu as pessoas dizer quando se aproximam de si na rua?
Toda a gente tem uma história sobre a escalada de uma montanha ou de terem levado os filhos a acampar. Eu gosto disso. Muitas vezes, se estou num bar, perguntam-me se quero uma “pint” (n.: caneca de 50cl) de urina. Ao que respondo: ‘Neste momento, não, mas obrigado pela oferta’. Se alguém me dissesse, quando tinha sete anos, que iria ser famoso em todo o mundo por coisas bizarras como aquela, eu não acreditaria. Mas podia ter sido bem pior e eu tenho muita sorte. O meu trabalho é a trepar árvores, a sujar-me de lama, a cair de cima de coisas e isso é ótimo.

Para o seu próximo projeto está a treinar com o Cirque du Soleil. Como está a ser?
Não estávamos a treinar com o Cirque du Soleil, mas sim com alguns dos acrobatas aéreos. É um grande projeto, mas muito físico. Estamos a meio dos ensaios, a trabalhar doze horas por dia no estúdio Bond, o do 007, em Pinewood, o que é fantástico. Construímos uma parede e estamos a fazer treino de acrobacia e manobras aéreas. Os acrobatas fazem-no parecer tão fácil. Vemos esta malta do Cirque du Soleil a conseguir fazer tudo na perfeição, sobre cabos, e pensamos: ‘eu também sou capaz de fazer aquilo’. Até que o tentamos.

Está a trabalhar no estúdio Bond. Há alguma hipótese de o vermos no próximo filme do “James Bond”?
Nunca diga nunca, mas sim, há, só que não para já. Estamos focados no espetáculo “Endeavour” (n.: vídeo promocional em baixo).

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