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Parlamento russo vai estar dividido entre apoiantes e simpatizantes de Putin

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Parlamento russo vai estar dividido entre apoiantes e simpatizantes de Putin

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Com Beatriz Beiras, Marina Ostrovskaya e João Peseiro Monteiro

Os russos vão às urnas este domingo, para eleger os 450 deputados que constituem a Duma (câmara baixa do parlamento). As eleições foram antecipadas em relação à data anterior, 4 de dezembro – uma medida que pode fazer aumentar a abstenção, quando o desinteresse pelas eleições é já grande e generalizado. Segundo o centro de sondagens Levada, só 9% dos eleitores seguem a campanha eleitoral. 43% ignoram-na completamente.

As sondagens dão a vitória ao partido no poder, o Rússia Unida, de Vladimir Putin. As listas são encabeçadas pelo atual primeiro-ministro Dmitri Medvedev, embora com 41%, um número que o deixa abaixo dos 300 lugares necessários para a maioria qualificada.

O presidente Putin tem aparecido com Medvedev, mas está impedido por lei de emprestar a imagem ao partido.

O partido comunista de Guennadi Zyuganov, assente num eleitorado sobretudo de reformados, deve perder o segundo lugar na Duma. A recusa de Zyuganov em ceder o lugar na liderança pode ter tido uma influência nesta perda de popularidade.

O beneficiado é o Partido Liberal-Democrata do ultranacionalista Vladimir Jirinovski, que deve obter mais de 12% dos votos, o melhor resultado desde 1993.

O chefe do partido Rússia Justa, Serguei Mironov, acredita que o partido vai estar entre os quatro primeiros e que serão esses quatro os únicos a entrar na composição da Duma. Diz também que todos apoiam o presidente Vladimir Putin.

Só dificilmente os partidos que fazem uma oposição declarada a Putin entrarão na Duma, mesmo se a percentagem mínima para entrar no parlamento baixou dos 7% para os 5%.

Vítima de várias divisões internas, o PARNAS, partido do antigo primeiro-ministro Mikhail Kasyanov, não consegue mobilizar o eleitorado desiludido com Putin e com o Rússia Unida.

A Rússia está em recessão e as receitas reais estão a cair, o que acontece pela primeira vez desde a chegada de Putin ao poder. O presidente está já a preparar a campanha para 2018, mesmo se ainda não anunciou a candidatura. A ser eleito, será o quarto mandato e o segundo desde o interregno em que Medvedev preencheu a vaga. A constituição não permite que um presidente ocupe três mandatos consecutivos, mas a máquina de Putin contornou a situação em 2008 e pode voltar a fazê-lo em 2022.

Destino da eleição está definido

A euronews falou com o diretor do centro russo de pesquisa da opinião pública (VCIOM), Valery Fedorov, para fazer o ponto da situação a escassos dias do sufrágio.

Marina Ostrovskaya, euronews:

No domingo os russos vão votar para eleger o próximo parlamento. Pode esta eleição alterar o panorama político e a disposição dos principais protagonistas no xadrez do poder? O diretor do centro russo de pesquisa da opinião pública (VCIOM), Valery Fedorov, faz o ponto da situação antes do sufrágio.

Na sequência dos resultados das últimas sondagens, disse que o partido no governo, Rússia Unida, iria ganhar estas eleições. Mas os números mostram um decréscimo da sua popularidade. Que explicação dá para este fenómeno, quais são as razões?

Valery Fedorov, VCIOM:

Nos últimos 3 meses o apoio ao partido Rússia Unida recuou dos 45 para os 39 por cento. Verificou-se uma tendência estável embora lenta. Na última sondagem concluída no fim de semana registamos uma travagem nesta descida. Atualmente o Rússia Unida está creditado com 41,5 por cento e o destino da eleição está em cima da mesa, está definido. O partido mobilizou todos os recursos e apelou ao apoio do presidente. A minha previsão aponta para que, mesmo no caso de obter um resultado inferior ao do último escrutínio, no qual recolheu 49 por cento dos votos, desta vez deverá obter entre 43 e 45 por cento, ou mesmo chegar aos 47 por cento.

Marina Ostrovskaya, euronews:

Quem poderá recuperar os votos dos eleitores descontentes com a ação do partido no poder?

Valery Fedorov, VCIOM:

Até à data a principal tendência é a subida do Partido Liberal-Democrata da Rússia, de Vladimir Jirinovski. Da última vez quase que ficou à porta do parlamento ao ultrapassar por pouco a percentagem mínima exigida mas neste sufrágio pode tornar-se na segunda força política, uma vez que regista um apoio da ordem dos 11 por cento. O desempenho dos comunistas desta vez é mais fraco do que o costume e deverão deixar de ser a principal força da oposição se forem despromovidos para a segunda linha. Há ainda outro partido da oposição, o Rússia Justa, que nas últimas eleições alcançou 13 por cento dos votos mas que agora não se apresenta tão forte. As sondagens apontam para um resultado a rondar os 6-7 por cento.

Marina Ostrovskaya, euronews:

E quanto aos partidos sem assento parlamentar? O Yabloko, o Parnas ou o Partido da Justiça para os Pensionistas Russos têm algumas hipóteses?

Valery Fedorov, VCIOM:

No caso do Yabloko estamos à espera de um resultado de 3 por cento, o que é muito importante porque este patamar permite aceder a um importante financiamento estatal e assim preparar melhor o próximo sufrágio, a eleição presidencial que está agendada para a primavera de 2018.

O Partido da Justiça para os Pensionistas Russos é uma entidade estranha. Não tem verdadeiros líderes mas tem um nome e vários slogans com eco na sociedade. O problema das pensões de reforma está na ordem do dia, assim como as questões de justiça social. É possível que consigam entre 3 e 4 por cento. O Rodina também pode chegar aos 3 por cento, já o Parna não deverá ultrapassar 1 por cento dos votos.

Marina Ostrovskaya, euronews:

Qual será o impacto da antecipação do calendário, de dezembro para setembro?

Valery Fedorov, VCIOM:

Estamos à espera de uma descida da participação no dia 18 de setembro. E posso apontar algumas razões. Uma tem a ver com a mudança de atitude da Comissão Eleitoral Central relativamente a falsificações e outro tipo de fraudes. Há uma conduta mais estrita desde que a ativista pelos direitos humanos Ella Pamfilova chefia a comissão. A questão da época do ano também tem influência. Desta vez os eleitores não tiveram muito tempo para digerir a campanha e interiorizar as mensagens e os esforços dos políticos porque a fase ativa da campanha eleitoral foi apenas de 2 a 3 semanas enquanto antes era mais longa, durava cerca de dois meses.

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