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Partido de Putin desce nas sondagens - Perceba porquê

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Partido de Putin desce nas sondagens - Perceba porquê

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Para melhor compreender o sentimento e as expetativas com que os russos vão às urnas nas eleições legislativas do dia 18, a euronews falou com Denis Volkov, sociólogo no centro de sondagens Levada, em Moscovo.

Serguei Dubin, euronews: As sondagens realizadas pelo seu centro e por duas outras instituições mostram uma descida nas intenções de voto no partido Rússia Unida. Na sua opinião, porquê?

Denis Volkov: Essa tendência não é nova, começou há cerca de um ano e meio. Desde a anexação da Crimeia, o apoio ao Rússia Unida esteve a subir e teve um pico em maio-junho de 2015, tal como a popularidade de Putin. Depois começaram a descer, lentamente mas de forma contínua. Em meados de 2015 situava-se em cerca de 50% de todos os eleitores, incluindo os indecisos. Depois desceu para 40%, na primavera deste ano, e agora ronda os 30%.

É preciso ter em conta que esses 30% representam cerca de 50% do número real de votos ou mais ainda, tendo em conta a redistribuição de votos dos partidos que não chegam a atingir o mínimo para entrar no parlamento.

Entre as razões para esta descida, os analistas falam da decisão impopular de não indexar as pensões à inflação e o aparecimento de novos partidos, que desvia as atenções das quatro forças principais. Pensa que são fatores decisivos?

É, em parte, verdade, mas esta descida é causada sobretudo pela normalização, pelo assentar das emoções depois de todo o entusiasmo à volta da Crimeia. Os fatores económicos são importantes e os russos sentem os efeitos da crise. Mas é uma crise que atua de forma muito lenta.

As pessoas demoram tempo a entender ou a sentir pessoalmente os efeitos e depois adaptam-se depressa. Há partidos novos, sim, mas a maioria deles é desconhecida do grande eleitorado. Diluem o voto, roubam algum eleitorado ao Rússia Unida, mas repito que as intenções de voto descem, sobretudo, porque a tendência a longo prazo é para que o partido perca popularidade.

Como é que essa insatisfação pode influenciar a afluência às urnas?

Penso que a afluência vai ser mais influenciada pelo facto de as eleições terem sido antecipadas de dezembro para setembro. Em dezembro, a afluência é normalmente alta, em setembro não muito.

É difícil fazer um prognóstico exato, mas vai ser menor. Há menos interesse nestas eleições, de forma geral. As pessoas não discutem o tema no caminho para o trabalho. A opinião pública está a afastar-se destas eleições. Talvez as próprias autoridades estejam interessadas em que haja menos afluência, que só os eleitores mais disciplinados vão às urnas. Aqueles que não votam para expressar uma opinião e influenciar a composição da Duma, mas sim por uma questão de hábito, de dever cívico, porque sentem essa obrigação.

Finalmente, qual pensa que vai ser a tendência dominante? A vontade de mudar ou a apatia?

Penso que a apatia, mas os novos partidos liberais também têm alguma culpa, porque não fizeram praticamente nenhuma campanha nas grandes cidades, onde vive a maior parte do eleitorado. O principal defeito deles e mesmo dos apoiantes é que são invisíveis. As pessoas não veem as mudanças dentro destes partidos. Aparecem imediatamente antes das eleições, ninguém sabe nada sobre eles e só falam em vez de agir.

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