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Naufrágio de centenas de migrantes ilegais gera angústia e revolta no Egito

Um barco sobrelotado com cerca de 400 pessoas e a Europa como destino provável naufragou: pelo menos 43 morreram , mais de 160 foram resgatadas e as buscas prosseguem.

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Naufrágio de centenas de migrantes ilegais gera angústia e revolta no Egito

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A euronews está em Rashid, no norte do Egito, onde a angústia e a revolta dominam os sentimentos dos familiares de algumas das vítimas do naufrágio de um barco sobrelotado no mar Mediterrâneo, ao largo do Egito. A embarcação levaria a bordo entre 300 a 600 migrantes ilegais, numa viagem clandestina rumo, provavelmente, à Europa.

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"Faz algum sentido o que os 'facilitadores' estão a fazer? A embarcar centenas de migrantes em barcos onde mal cabem alguns deles?"

Anónimo Familiar de vítima do naufrágio

Pelo menos 42 pessoas morreram, mais de 160 foram resgatadas com vida, entre eles quatro suspeitos de fazer parte dos promotres da viagem. As operações de busca prosseguem e com ajuda de pescadores locais, como testemunhou o nosso correspondente no Egito, Mohammed Shaikhibrahim.

(Sobrevivente do naufrágio: “Não sei onde estão a minha mulher e o meu filho. Apenas eu sobrevivi. Gostava de estar com eles.”)

O jornalista da euronews registou um pequeno barco verde a deixar o porto de Rashid. O familiar de uma das vítimas contou-nos que esta embarcação havia chegado ali pouco antes “com 12 cadáveres recolhidos com a ajuda das redes de pesca”.

“O barco está a voltar ao mar com alguns familiares de vítimas a bordo, para continuar as buscas com a ajuda dos pescadores”, acrescentou o nosso entrevistado.

Estas perigosas viagens clandestinas pelo Mediterrâneo são um dos negócios lucrativo para os traficantes, os chamados “facilitadores”, que se têm vindo a aproveitar da presente crise de refugiados em benefício próprio e muitas vezes à custa de vidas humanas.

(Porta-voz da IOM Itália: “Naufrágio no Egito: A bordo, talvez seguissem 350 migrantes, não 600. A confirmar.”)

Um outro egípcio, no local já desde a véspera, conta-nos ter perdido “dois filhos” e explica que “eles iam deixar o Egito por causa da falta de trabalho e das difíceis condições de vida”. “Faz algum sentido o que os ‘facilitadores’ estão a fazer? A embarcar centenas de migrantes em barcos onde mal cabem alguns deles?”, questionou.

A revolta é grande nas margens de Rashid, cidade portuária a leste de Alexandria.

“Este naufrágio”, sublinha o nosso correspondente, “vem reforçar o alerta para o aumento do número de barcos com migrantes ilegais a partir desde o Egito, transportando africanos e sírios em fuga de guerras e conflitos, mas também centenas de egípcios iludidos pela busca de trabalho e de uma vida melhor.”

Quatro “facilitadores” detidos no Egito Quatro homens foram detidos esta quinta-feira no Egito por suspeita de tráfico de seres humanos na sequência do naufrágio de uma embarcação com migrantes no Mediterrâneo que causou mais de 40 mortos, revelaram responsáveis egípcios da justiça e segurança.

Os quatro egípcios faziam parte dos 163 resgatados e foram acusados de “tráfico de seres humanos” e de “homicídio involuntário”, informou um procurador.

O naufrágio ocorreu na quarta-feira a cerca de 12 quilómetros da costa da cidade egípcia de Rosetta, meses depois da agência de fronteiras da União Europeia, Frontex, ter alertado para o número crescente de migrantes que estavam a escolher o Egito como ponto de partida da viagem marítima para alcançar a Europa.

Os traficantes muitas vezes sobrecarregam as embarcações, algumas com poucas condições de navegabilidade, para conseguirem o máximo de dinheiro dos desesperados migrantes.

Desde 2014, já morreram mais de 10.000 pessoas a tentar atravessar o Mediterrâneo para alcançarem a Europa, alertaram as Nações Unidas.