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Conflito na Síria: Cessar-fogo "entre a vida e a morte"


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Conflito na Síria: Cessar-fogo "entre a vida e a morte"

As forças militares de Bashar al-Assad fecharam setembro a conquistar terreno aos rebeldes da oposição na zona leste de Alepo, outrora a segunda maior cidade da Síria, situada no norte do país. Os combates foram reativados há cerca de uma semana, deixando “entre a vida e a morte” o cessar-fogo acordado para permitir ajuda humanitária na região.

O Ministério russo da Defesa anunciou, contudo, ter registado somente esta sexta-feira 61 violações do cessar-fogo e garantiu não ter realizado, nem a força aérea síria, quaisquer raides aéreos contra grupos armados da oposição que declaram a cessaçõ de hostilidades e informaram as respetivas localizações.

Só com a escalada de violência da última semana, após o fim prematuro do frágil cessar-fogo negociado entre Estados Unidos e o principal aliado do regime sírio, a Rússia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima terem morrido em Alepo quase 340 pessoas — 106 terão sido crianças.

Mais de 840 pessoas ficaram feridas e 270 mil estarão ainda “presas”, sem acesso a água ou comida, no leste da cidade, uma zona sob fortes bombardeamentos pela força aérea síria, mas também pela força aérea Russa, reforçada entretanto com mais jatos de guerra SU-25 e Su-34. A mobilização de mais meios aconteceu no dia em que a Rússia completou um ano de ajuda a Assad no alegado exclusivo combate ao terrorismo e durante o qual terão morrido 3800 pessoas.

Os Médicos Sem Fronteiras apelaram ao governo sírio e respetivos aliados para suspenderem os bombardeamentos sobre o leste de Alepo, zona que dizem ter-se tornado num “matadouro gigante”. O apelo surgiu dois dias depois de mais duas instalações médicas terem sido atingidas na região, com o Secretário-geral das Nações Unidas a alertar que ataques contra hospitais são considerados “crimes de guerra.”

Os responsáveis diplomáticos de Estados Unidos e Rússia tentam, entretanto, manter uma aberta na busca de uma solução para a violência em Alepo. Sergei Lavrov e John Kerry terão voltado a falar pelo telefone.

Numa entrevista por videoconferência com a BBC, o responsável diplomático russo acusou, no entanto, Washington de não conseguir distinguir os rebeldes moderados dos grupos que Moscovo e Damasco consideram terroristas.

John Kerry, por outro lado, confessou há uma semana a um grupo de sírios ter defendido o uso da força contra Bashar al-Assad. A revelação partiu da gravação de uma suposta conversa privada, à margem da cimeira das Nações Unidas, divulgada no final desta semana pelo jornal New York Times.

Ao mesmo tempo destes frágeis esforços para um compromisso de paz para Alepo surgem relatos de que o regime de Assad, apoiado pela força aérea russa, terá recorrido a bombas de fragmentação em Alepo. Este tipo de artilharia é proibido por uma convenção internacional, a qual, no entanto, não foi ratificada por Estados Unidos, Rússia ou Síria.

A ONU anunciou entretanto a abertura de uma investigação ao ataque, a 19 de setembro, contra um comboio de ajuda humanitária, no qual morreram pelo menos 18 pessoas. Os Estados Unidos denunciaram aviões de fabrico russo pelo ataque. A Rússia apontou o dedo a grupos armados da oposição ao regime sírio.

O conflito civil contra Bashar al-Assad foi espoletado há cinco anos e desde então tem vindo a agravar-se, inclusive pela entrada em cena do grupo terroristas autoproclamado Estado Islâmico (Daesh/ ISIL).

Nesta guerra, já morreram mais de 250 mil pessoas, tendo provocado ainda a mais grave crise de refugiados das últimas décadas. Mesmo assim, o contestado presidente sírio ameaça não parar enquanto não recuperar o controlo de todo o país.

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