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Hampi: O tesouro indiano resgatado do esquecimento

Foi através de relatos detalhados de viajantes portugueses do século 16, como Domingo Pais ou Fernão Nunes, que o mundo ficou a conhecer a magnitude de um dos maiores tesouros da Índia: Hampi.

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Hampi: O tesouro indiano resgatado do esquecimento

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Foi através de relatos detalhados de viajantes portugueses do século 16, como Domingo Pais ou Fernão Nunes, que o mundo ficou a conhecer a magnitude de um dos maiores tesouros da Índia: Hampi.

O Templo de Virupaksha domina Hampi, a antiga capital do chamado Império Vijayanagara que conheceu a prosperidade no século 14 e manteve o seu poderio durante mais de duzentos anos. Em 1986, este conjunto monumental foi classificado como Património Mundial da Unesco.

Todos os anos, passam por aqui mais de meio milhão de turistas. Em breve, poderão também visitar estas imensas construções à luz do luar: os responsáveis de Hampi pretendem abrir as portas à noite.

Samy veio da Alemanha. “Chegámos por volta das 5 da manhã. Subimos até ao Monte Mantunga e daí pudemos ver todo o conjunto de Hampi. Foi impressionante. Tirámos imensas fotografias, enviámos para os nossos amigos e eles ficaram estupefactos. Só nos perguntavam onde é que estávamos”, conta-nos.

Um tesouro escondido até ao século 19

Aquele que é considerado um dos maiores museus a céu aberto da Ásia estende-se ao longo de mais de 30 quilómetros quadrados no sul da Índia. Foi o coração de uma monarquia hindu até os sultanatos do planalto do Decão terem provocado a sua queda. As ruínas viriam a ser achadas por militares britânicos no início do século 19.

“O meu avô instalou-se aqui há oitenta anos. Na altura, não havia turismo. Mas vinham vários peregrinos. Ou seja, era um local de adoração, não de visita. O meu avô costumava oferecer café e alguns alimentos a esses peregrinos, porque os considerava como convidados de Deus”, diz-nos Manjunat Gowda, um guia local.

Há mais de mil monumentos neste complexo histórico. Os edifícios dividem-se entre a arquitetura de inspiração religiosa e as estruturas militares. Na verdade, a cidade encerrava-se originalmente dentro de sete linhas muralhadas, pontuadas por portais.

Segundo o arqueólogo Prakashn Nayakanda, “eles já tinham tudo o que era preciso. Tinham sistemas de irrigação, uma agricultura desenvolvida, uma arquitetura específica. Tudo o que se faz hoje em dia, já se fazia naquela altura”.

A glória da imensa e extravagante Hampi continua a deslumbrar pela originalidade e o mistério que envolve esta cidade que foi resgatada do esquecimento.