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Síria: Paz é miragem longínqua


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Síria: Paz é miragem longínqua

Há menos de um mês, parecia que as grandes potências tinham finalmente encontrado um rumo em direção à paz na Síria. A poucos meses do fim do mandato de Barack Obama e após difíceis negociações, Estados Unidos e Rússia anunciam uma trégua nos combates, que não abrange o ‘daesh’ e a Frente Al-Nusra.

“Estados Unidos e Rússia estão a apresentar um plano que (…) se for implementado e respeitado, tem a capacidade de proporcionar um momento de viragem”, afirmou na altura o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

A esperança renascia. A trégua entra em vigor no dia 12 de setembro e começa-se a preparar a entrega de ajuda humanitária nas áreas sitiadas, nomeadamente em Alepo.

Mas, cinco dias após o início do cessar-fogo, a “coligação internacional liderada pelos Estados Unidos bombardeia “por engano” o exército sírio, perto de Deir Ezzor”:http://www.lemonde.fr/syrie/article/2016/09/17/la-coalition-internationale-reconnait-avoir-frappe-par-erreur-une-position-de-l-armee-syrienne_4999461_1618247.html, matando várias dezenas de soldados. Dois dias depois, Damasco anuncia o fim da trégua e poucas horas a seguir um comboio humanitário da ONU e do Crescente Vermelho é bombardeado perto de Alepo.

O cessar-fogo durou uma semana e com o seu fim goram-se as esperanças de levar ajuda a quem mais necessita. As Nações Unidas suspendem o envio de comboios humanitários quando o processo mal tinha começado.

Desde então, as bombas não pararam de cair sobre Alepo. Na ONU, tenta-se relançar os esforços diplomáticos, para já, sem sucesso. Moscovo e Washington dedicam-se a um diálogo de surdos.

Segundo Serguei Lavrov, ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia, “infelizmente, desde o início, houve muitos que quiseram destruir os acordos, incluindo no seio da administração norte-americana (…) Para nossa tristeza, esses, que estão contra uma resolução política para a crise na Síria, que estão contra o cumprimento das resoluções da ONU e que têm planos claros para resolver a situação pela força, foram bem-sucedidos”.

Para John Kerry, “o regime sírio e a Rússia parecem ter rejeitado a diplomacia em prol da tentativa de alcançar uma vitória militar em cima de cadáveres, hospitais bombardeados e crianças traumatizadas numa terra que há muito sofre. Quem, de uma forma séria, quer a paz, comporta-se de uma forma diferente daquela que a Rússia escolheu”.

Em cinco anos, a guerra na Síria já fez mais de 300.000 mortos e a paz continua a não passar de uma miragem longínqua.

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