Última hora

Última hora

Direitos Humanos na Turquia, Crimeia e Iraque na "mira" do prémio Sakharov

O Parlamento Europeu divulgou a lista de três finalistas ao prémio Sakharov para a liberdade de pensamento.

Em leitura:

Direitos Humanos na Turquia, Crimeia e Iraque na "mira" do prémio Sakharov

Tamanho do texto Aa Aa

O Parlamento Europeu divulgou a lista de três finalistas ao prémio Sakharov para a liberdade de pensamento.

Em 2016, os deputados europeus decidiram chamar a atenção para a situação dos direitos humanos na Turquia, na Crimeia anexada pela Rússia e no Iraque assediado pelo grupo Estado Islâmico.

Os três finalistas são um jornalista da oposição visado pela “purga” levada a cabo pelo governo, um líder tártaro da Crimeia ou duas mulheres escravizadas pelo grupo Estado Islâmico no Iraque.

Can Dundarn: o jornalista que resiste à “purga” turca

O jornalista turco Can Dundarn, atualmente no exílio, depois de escapar a uma tentativa de assassínio, é um dos finalistas. O antigo chefe de redação do jornal da oposição “Cumhuriyet” tinha sido condenado a 10 anos de prisão por revelar segredos de Estado, depois de realizar uma investigação à venda de armas turcas aos rebeldes sírios.

Sobre Dundarn pesa igualmente uma nova condenação por alegadas ligações ao golpe militar falhado de Julho, após o qual milhares de pessoas foram detidas, entre militares, juízes, universitários e jornalistas.

Mustafa Dzhemilev: O tártaro da Crimeia insubmissa

Mustafa Dzhemilev, outro finalista ao prémio, é o líder tártaro da Crimeia, o território ucraniano anexado pela Rússia. O antigo líder do parlamento Tártaro, entretanto eleito para o parlamento ucraniano, dedicou mais de 50 anos de carreira à defesa das minorias, do totalitarismo da era soviética à atual ocupação russa do território da Crimeia.

Nadia e Lamiya: a voz do sofrimento Yazidi no Iraque

Duas mulheres da comunidade Yazidi do Iraque encontram-se igualmente na lista de finalistas. Nadia Murad Basee Taha e Lamiya Aji Bashar são ambas vítimas e sobreviventes da violência do grupo Estado Islâmico contra a comunidade.

Violentadas sexualmente e escravizadas pelo grupo islamita durante meses, como milhares de outras mulheres yazidis, Nadia e Lamiya são atualmente as porta-vozes da luta pelo reconhecimento dos crimes de guerra levados a cabo pelo EI, nomeadamente o genocídio da comunidade Yazidi.

Foi graças aos relatos das duas mulheres que a comunidade internacional se apercebeu da campanha de violência sexual levada a cabo pelo grupo islamita.

Sakharov de Nelson Mandela a Raif Badawi

Desde 1988 que o nome do antigo dissidente soviético e Prémio Nobel da paz está associado ao galardão que distingue um homem ou mulher pelo seu papel na defesa dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. O prémio, no valor de 50 mil euros, é também, todos os anos, uma forma de chamar a atenção para uma situação grave no planeta.

Entre as personalidades distinguidas pelo prémio encontra-se Nelson Mandela, Xanana Gusmão, ou no ano passado, o “blogger” saudita Raif Badawi, condenado a dez anos de prisão por “insultos ao Islão”.

O vencedor, entre os três finalistas, será anunciado no dia 27 de Outubro, após uma votação que reunirá o presidente do Parlamento Europeu (PE) e os presidentes de todos os grupos políticos em Estrasburgo. A cerimónia de entrega do prémio vai decorrer no PE a 14 de Dezembro.