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Eric Cantona: "O vinho em Portugal é muito, muito bom"

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Eric Cantona: "O vinho em Portugal é muito, muito bom"

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Um dos mais recentes e famosos residentes franceses em Portugal, Eric Cantona dividiu-se em entrevistas nos últimos dias a propósito da estreia do filme “Marie et les Naufragés” (“Maria e os Náufragos”), em que contracena e que teve ante-estreia na 17.a Festa do Cinema Francês, que decorre até 13 de novembro em várias cidades portuguesas.


O porquê de ter optado por viver em Portugal dominou boa parte das conversas com os jornalistas. Com a Time Out Lisboa, por exemplo, logo à primeira pergunta — porque tinha escolhido Lisboa para morar com a família e não outra capital europeia —, o antigo futebolista do Manchester United e agora ator resumiu que “tudo aquilo” de que gosta “está reunido aqui em Lisboa.”

Numa descrição que gerou alguma polémica nas redes sociais, em especial entre portugueses e muito por causa da ausência de favelas na capital portuguesa, Cantona comparou Lisboa ao Rio de Janeiro, mas de uma forma positiva. “Vim muitas vezes a Portugal e algumas vezes a Lisboa. Gostei muito deste país e da cidade. Também gosto muito do Brasil, em especial do Rio de Janeiro. Para mim, Lisboa é o Rio de Janeiro na Europa”, considerou o francês.

À revista Visão, entetanto, revelou que a mudança para Lisboa foi uma decisão a dois. “Vim cá com a minha mulher e apaixonamo-nos por esta cidade e por este país. Já conhecia Portugal, mas não conhecia bem Lisboa. Conhecia melhor a região da Figueira da Foz e Portimão. Lisboa foi uma verdadeira descoberta. Continua a ser. É uma cidade inspiradora e com uma energia muito forte. Estou verdadeiramente apaixonado por ela.”

Regressando à comparação entre o Rio de Janeiro e Lisboa, o francês especificou que “as duas cidades têm uma arquitetura semelhante, o mesmo contraste entre o branco e o negro”. “Encontramos facilmente praias selvagens por perto. Por isso digo que Lisboa é o Rio da Europa”, reforçou.

Questionado pela Time Out sobre os restaurantes de cozinha francesa existentes na capital portuguesa, o francês, hoje com 50 anos, garantiu que “não” os frequenta. “Prefiro os portugueses”, sublinhou, elegendo até “um na Baixa”, de que não se lembrava do nome, mas que descreveu como sendo “de peixe” e com “uns presuntos enormes pendurados.”

E a gastronomia portuguesa? “Eu cá como de tudo”, garantiu Cantona, mas com um destaque: “O vinho aqui em Portugal é muito, muito bom.”

Há aliás um tinto em especial que o conquistou: “O Barca Velha de 2004 é ótimo”. “Fica no barril durante oito ou nove anos, e depois provam-no. Se não é bom, não o engarrafam. Se é bom, engarrafam-no”, contou, revelando estar já bem informado sobre a enologia lusa.


A questão do futebol não faltou nestas entrevistas. Perguntou a Time Out Lisboa: “Apoia algum clube de futebol português, ou prefere ficar neutro?”. A resposta de Cantona, aqui, foi mais longa das publicadas pela revista.

“Quando viemos para aqui, levei o meu filho, que tem seis anos, a ver o Sporting e o Benfica. Vimos jogos de ambos os clubes. E ele ficou apoiante do Sporting, tal como eu. Porque mergulhei na história do clube e acho que tem uma formação extraordinária, um sistema de desenvolvimento da personalidade e do potencial dos jogadores excecional. Para mim, a verdadeira riqueza de um clube de futebol está na formação”, enalteceu um dos muitos brilhantes números “sete” do Manchester United, na linha de Cristiano Ronaldo, o mais ilustre de todas as “colheitas” do Sporting.

À Visão, Cantona acrescentou: “Quando pensamos nos melhores jogadores portugueses, Ronaldo, Figo, Nani ou Futre são quatro jogadores formados no Sporting e com personalidades muito fortes. É isso que eu amo no futebol. Aos 14 anos não são os resultados que importam, o mais importante é o desenvolvimento da personalidade e do potencial do jogador. E o prazer do jogo.”


Em “Marie et Les Naufráges”, uma realização de Sébastien Betbeder (trailer em cima), Canton encarna “Antoine”, um escritor neurótico a meio do desenvolvimento de um romance sobre a mulher que ama, “Marie”, e que está a ver afastar-se para os braços de um jornalista.

Ao Diário de Notícias, o antigo futebolista confessou que gostaria “muito de fazer um projeto português de cinema”. “Porque não?! Já fiz um filme na Croácia em croata e já rodei em Inglaterra… mas dar-me-ia muito prazer rodar em Portugal e, já agora, em língua portuguesa”, garantiu.