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Seis migrantes menores já deixaram a "selva" de Calais rumo a Londres

Cerca de 1300 crianças vivem sem acompanhamento no acampamento improvisado, em frança, junto ao túnel da Mancha e pelo menos 80 já receberam luz verde para entrar no Reino Unido.

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Seis migrantes menores já deixaram a "selva" de Calais rumo a Londres

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Seis menores que estavam a viver sozinhos na apelidada “selva” de Pas de Calais, em França, foram autorizados por Londres e viajaram já esta quinta-feira para o Reino Unido, para se juntarem a familiares ali identificados como residentes.

Este grupo — cinco afegãos e um sírio — representa, porém, pouco mais de três por cento das cerca de 180 crianças ou adolescentes confirmadas como tendo família no território britânico entre as quase 1300 a viver sem acompanhamento no acampamento improvisado de migrantes ilegais e refugiados, nas proximidades da entrada francesa do Túnel da Mancha.

Um dos seis jovens com luz verde para embarcar para Londres foi Saadi, um dos cinco afegãos do grupo. “Tenho família à espera em Londres, a minha irmã, e temos de ir. Não temos outra solução. Não podemos viver em nenhum outro país, seja em França ou na Alemanha”, explicou o jovem afegão à Associated Press, garantindo estar “muito feliz” e a “realizar um sonho.”

Desta vez foram seis. Mas outras crianças ou adolescentes a viver sozinhos em Calais poderão em breve juntar-se a familiares no Reino Unido — pelo menos 80 já terão recebido a luz verde de Londres — ou serem transferidos para outros centros de acolhimento em França. Londres e Paris têm procurado, em conjunto, encontrar solução para estas crianças a viajar sozinhas e que ficaram retidas em Calais.

Cerca de seis mil pessoas vivem em condições precárias na “selva”. O governo gaulês pretende começar a desmantelar este bairro de lata de migrantes e refugiados até final do mês.

Pressionado pelas eleições de 2017 e a perder popularidade entre os franceses, o Presidente François Hollande anunciou o desejo de que a “selva” seja fechada pelo menos até final do ano, mas um grupo de onze organizações não governamentais (ONG), entre elas a Secours Catholique (a Cáritas francesa), tenta ainda bloquear na justiça o encerramento deste acampamento improvisado em Calais. As ONG entregara, o pedido ao Tribunal Administrativo de Lille e este órgão tem 48 horas para se pronunciar.

Lily Allen pediu desculpa em Calais em nome do Reino Unido

Na terça-feira, a estrela da música britânica Lily Allen deslocou-se à “selva” de Calais acompanhada por uma equipa de reportagem da BBC. Confrontada com as paupérrimas condições de vida das crianças no acampamento, a artista, em lágrimas, falou “em nome” do Reino Unido e pediu “desculpa”: “Lamento muito pelo que vos estamos a fazer.”

A prepotência de Lily Allen em assumir-se como porta-voz dos britânicos não caiu bem em muitos compatriotas. Nas redes sociais, a artista foi criticada por uns e elogiada por outros.