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O longo caminho dos refugiados obrigados a voltar ao Afeganistão


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O longo caminho dos refugiados obrigados a voltar ao Afeganistão

O Paquistão determinou que todos os refugiados afegãos têm de abandonar o país. *Os que não têm papéis devem sair até 15 de novembro. Mas este regresso massivo ameaça provocar uma crise humanitária no Afeganistão. Estima-se que, até ao final de 2016, mais de meio de milhão de afegãos regressem ao país natal. E, desde o início do ano, contam-se mais de 300 mil deslocados no interior do Afeganistão devido aos conflitos.

Nangarhar é uma região fronteiriça que se tornou no principal ponto de passagem para os afegãos que estão a regressar do Paquistão. A estrada que vai da fronteira até à capital desta província, Jalalabad, vive num pára-arranca diário desde que as autoridades paquistanesas anunciaram o repatriamento dos mais de dois milhões e meio de refugiados afegãos.

Todos os dias, centenas de famílias registam-se no centro de acolhimento de Samarkhel. Mohamad Qadur tinha oito anos quando o levaram para o Paquistão. “Fomos para o Paquistão por causa da guerra. Destruíram-nos a casa. Martirizaram pessoas da nossa família. Ao todo, fiquei lá 38 anos. Nunca conseguimos comprar uma casa, os preços são muito altos, tanto nas cidades, como nas localidades mais pequenas. Agora fomos obrigados a voltar para o Afeganistão”, conta-nos.

Aqueles que voltam voluntariamente com os documentos em dia têm direito a 400 dólares para o realojamento. Mas todos os outros que são obrigados a regressar já em novembro, ou seja sem qualquer estatuto oficial no Paquistão, recebem apenas ajudas básicas durante um mês. O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) fornece outros apoios. Abdul Wali, do ACNUR, diz-nos que “a assistência de repatriamento inclui ajuda financeira, programas de vacinação e consultas médicas. Fornecemos também apoio jurídico, nomeadamente às famílias que tenham problemas relacionados com a disputa das terras que deixaram”.

Aid Zone 6 Afghnistan

A pressão populacional provocada pelo regresso massivo dos refugiados ameaça gerar uma crise humanitária, sobretudo na área de Nangarhar. E o inverno está a aproximar-se. “A partir de julho, começámos a ter mais a gente a entrar por dia do que nos seis primeiros meses do ano. Até agora, entraram mais de 200 mil refugiados. Mas estamos a falar apenas daqueles que têm os documentos em dia, ou seja, que têm o estatuto de refugiados no Paquistão. Mas há cerca de 1 milhão e meio de pessoas que não obtiveram esse estatuto e que também estão regressar”, afirma Pierre Prakash, do gabinete de ajuda humanitária da UE.

Mas o problema não afeta apenas aqueles que procuraram refúgio fora do Afeganistão. Entre janeiro e setembro, cerca de 275 mil afegãos fugiram de suas casas para outros pontos do país. Um número que se junta aos mais de um milhão de deslocados que abandonaram as suas terras após décadas de conflitos.

Alam Gul fugiu de Achin para uma aldeia perto de Jalalabad. “Depois dos talibãs, veio o Daesh. Houve combates entre os dois grupos. O Estado Islâmico destruiu os talibãs. Tomaram conta de todo o distrito de Achin. Fecharam todo o comércio. A maior parte dos nossos vizinhos foram mortos e o que tinham foi roubado”, diz-nos.

A família de Alam recebeu cerca de 200 euros da parte do Conselho Dinamarquês para os Refugiados. O dinheiro foi utilizado para comprar farinha e obter cuidados médicos. A dra. Zahra Stanikzai tenta acompanhar as famílias que vão recebendo apoio. “É importante saber se o dinheiro que lhes demos é ou não suficiente para as necessidades que têm. Por isso, vimos perguntar-lhes se estão a conseguir resolver as dificuldades que vão aparecendo”, explica.

Os recursos atuais ainda não permitem estabelecer uma listagem exata das famílias que se estão a reinstalar no Afeganistão e das necessidades que têm.

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