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Turim celebra "La Bohème" nas mãos dos Fura dels Baus


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Turim celebra "La Bohème" nas mãos dos Fura dels Baus

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A 1 de fevereiro de 1896 estreava em Turim uma das mais míticas óperas de sempre: a La Bohème. Agora a obra-prima de Puccini regressa ao mesmo palco, na versão dos La Fura dels Baus.

“La Bohème” revisitada pelo coletivo catalão La Fura dels Baus na mesma sala onde se estreou há 120 anos, em Turim. É difícil imaginar mais motivos ainda para despertar o interesse por esta arrojada encenação da obra-prima de Giacomo Puccini no Teatro Regio. A não ser acrescentar que aos comandos estava o maestro italiano Gianandrea Noseda.

Nesta adaptação, os boémios de Paris não procuram o hedonismo nos cafés do Quartier Latin, mas na periferia urbana sem rosto da capital francesa. “‘La Bohème’ fala-nos dos jovens e das suas expetativas, da vontade que têm de mudar as coisas, de quebrar as regras, de serem inconformistas. No entanto, a morte inesperada da personagem da Mimi põe um termo brutal a todos estes sentimentos e emoções. Diria que a despreocupação abandona estes jovens. Há muita desilusão, deixa de haver tanta esperança”, considera Noseda.

Segundo o maestro, “há tanta sofisticação em cada pormenor da partitura que a poderíamos considerar como uma ópera escrita no século 20. Há uma precisão que encontramos também em Mahler. Puccini, que é igualmente um autor muito representativo do período em que viveu, levou este rigor até às últimas consequências. Há compassos de um dinamismo na ‘La Bohème’ que a tornam numa ópera particularmente difícil e que se distancia definitivamente das outras obras da mesma altura”.

“Há qualquer coisa na profissão de maestro que nos leva a explorar os limites da compreensão, no sentido de descobrir a verdade da obra. Sempre com um sentimento de frustração, porque sabemos que nunca iremos conseguir. E depois há alturas da vida em que interpretar uma determinada obra faz sentido e corre bem, e outras em que não, porque entretanto mudámos. Dirigir uma orquestra é uma atividade que estimula a nossa capacidade de compreensão e de aprofundamento das coisas, mas tendo sempre a noção de que os compositores eram muito mais grandiosos do que nós”, declara Noseda.

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A partir de 21 de outubro, esta produção está disponível em streaming durante seis meses no site http://www.theoperaplatform.eu/en.

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