Última hora

Em leitura:

Can Dundarn: "A Turquia tornou-se a maior prisão para os jornalistas"


A redação de Bruxelas

Can Dundarn: "A Turquia tornou-se a maior prisão para os jornalistas"

O jornalista turco Can Dundarn era um dos três finalistas do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento 2016, que foi atribuído a ativistas yazidi.

Dundarn foi detido depois do jornal que dirigia ter noticiado o alegado contrabando de armas dos serviços de informações da Turquia para rebeldes na Síria. O jornalista sofreu uma tentativa de assassinato quando estava em liberdade, à espera da decisão de um apelo, e fugiu para o exílio.

O enviado da euronews ao Parlamento Europeu, Sandor Zsiros, fez-lhe uma entrevista exclusiva.

Sandor Zsiros/euronews (SZ/euronews): “Como avalia a situação da liberdade de imprensa na Turquia? E o que pode a União Europeia fazer a esse respeito?”

Can Dundarn/jornalista turco (CD/jornalista turco): “Este é o pior momento da nossa história para a imprensa e para os jornalistas. Temos sofrido muito. Não era muito melhor antes da tentativa de golpe militar, mas depois tornou-se realmente num inferno. A Turquia tornou-se a maior prisão para os jornalistas e apenas dois jornais e um canal de televisão estão a funcionar, mas sempre a sofrer e a lutar. Esta é mais ou menos a situação da imprensa turca e a Europa deve, naturalmente, apoiar a luta dos jornalistas e travar estas agressões do governo turco, usando todos os meios possíveis, mas infelizmente estão um pouco relutantes em dar apoio aos jornalistas, enviando um sinal claro ao governo turco”.

SZ/euronews: “Talvez o façam devido ao acordo União Europeia-Turquia sobre a migração. Como avalia o peso desse acordo nesta matéria?”

CD/jornalista turco: “Classifico-o de negócio sujo porque Erdogan está a usar os refugiados para convencer os europeus a fecharem os olhos à sua opressão. É por isso que lhe chamo um negócio sujo. E a Europa, infelizmente, está tão assustada com Erdogan…. é por isso que não se mostra suficiente contra o que está a acontecer na Turquia. Cada vez estão mais conscientes do grau de opressão, mas ainda esperam que o Presidente mude para melhor”.

SZ/euronews: “Há apenas duas semanas, um grande jornal foi encerrado na Hungria. Qual é a sua mensagem para os jornalistas que ficam sem o seu jornal?”

CD/jornalista turco: “No nosso caso são 150 jornais , por isso é incomparável. Mas, naturalmente, enquanto Estado-membro a União Europeia é realmente chocante. Precisamos de maior solidariedade entre os jornalistas sob opressão. A Hungria e a Turquia são exemplos muito semelhantes na Europa. Não apenas aqueles, mas todos os jornalistas devem defender o direito de liberdade de expressão. Trata-se de valores ocidentais, não acha? Temos que defendê-los. E se sacrificarmos esses valores apenas para travar o fluxo de refugiados, será uma espécie de traição aos europeus, infelizmente”.

Há pontos de vista diferentes para cada história: a Euronews conta com jornalistas do mundo inteiro para oferecer uma perspetiva local num contexto global. Conheça a atualidade tal como as outras línguas do nosso canal a apresentam.

Artigo seguinte

A redação de Bruxelas

Breves de Bruxelas: CETA e Prémio Sakharov em destaque