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Trump inflamou o debate: A NATO ainda faz sentido?


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Trump inflamou o debate: A NATO ainda faz sentido?

Desde que Donald Trump lançou a questão, afirmando que os países europeus membros da NATO “roubam” os Estados Unidos, a pertinência da Aliança Atlântica, nos dias de hoje, não cessa de ser debatida. Se o candidato republicano ameaça reequacionar tudo, a posição de Hillary Clinton também não é propriamente a mais clara. As eleições americanas podem assinalar uma reviravolta no tabuleiro militar mundial?

A pacatez deste local encerra uma história que podia ter mudado a face do mundo: durante décadas, temeu-se que a Terceira Guerra Mundial rebentasse aqui. Richarda Steinbach dirige o memorial que foi erguido em Fulda, no centro da Alemanha.

“Estamos naquele que foi o ponto mais instável da História alemã, da História europeia. Naquela torre estavam posicionadas as tropas da Alemanha de Leste. A fronteira passava mesmo ao lado daquele marco branco. Ou seja, os militares da NATO e os do Pacto de Varsóvia podiam olhar-se nos olhos. Estavam separados por apenas dois metros”, afirma.

“Lembro-me de tudo o que [os americanos] fizeram pela nossa paz e liberdade”

No auge da Guerra Fria, se as tropas soviéticas invadissem a Alemanha Ociental, tinham à sua espera centenas de milhares de soldados da NATO. O grande receio era que um eventual confronto degenerasse num conflito nuclear.

Quase três décadas depois, a Cortina de Ferro já não existe, mas muitos habitantes locais continuam a expressar um sentimento de gratidão pela proteção militar que os Estados Unidos garantiram na altura.

Renate Stieber trabalhou como oficial de ligação junto das tropas americanas durante 24 anos. Costumava passar por aqui praticamente todos os dias. “Recordo-me de tudo o que os soldados americanos faziam. Vigiavam toda a área, a partir da torre, durante 24 horas por dia. Lembro-me de tudo o que fizeram pela nossa paz e liberdade. As pessoas do lado ocidental sabiam que podiam dormir descansadas porque eles estavam aqui”, diz-nos.

Mas o descanso deixa de ser tão reparador se atentarmos nas declarações de Donald Trump, para quem a Europa tem de pagar o que deve se quiser garantir a sua própria segurança.

“Muitos dos países membros da NATO não pagam a sua parte. Ou seja: nós protegemo-los, damos todo o tipo de garantias militares. E eles roubam os Estados Unidos. Estão a roubar os cidadãos americanos. Eu não quero isso. Ou pagam, incluindo gastos feitos no passado, ou saem. E se a NATO tiver de colapsar, colapsa”, declarou o candidato republicano.

Segundo Trump, chegou a altura de acertar contas que datam da Guerra Fria, acusando a grande maioria dos 28 membros da Aliança Atlântica de não respeitarem o compromisso de canalizar 2% do respetivo PIB para o setor da Defesa.

Quais são as intenções de Clinton?

Judy Dempsey é uma jornalista irlandesa especializada na história da NATO e da segurança europeia desde a Guerra Fria até aos dias de hoje. “Trump considera que os aliados da NATO, sobretudo os europeus, têm de pagar a sua fatia – isso é verdade. Mas nada disto é novo. Várias administrações americanas já disseram o mesmo. E a verdade é que, desde que os russos invadiram a Crimeia e o leste da Ucrânia, os europeus fazem um pouco mais de esforços. Quanto à NATO ser obsoleta: o que é que os americanos pretendem fazer com as coligações que têm com os aliados mais próximos? O que pretendem fazer com uma Aliança Atlântica que enfrenta várias ameaças, não apenas nos Estados Unidos, mas na Europa também? Dizer que a NATO se tornou obsoleta é o mesmo que decretar o fim de uma aliança criada após 1945 sobre as ruínas de uma Europa destruída”, aponta.

Hillary Clinton afirma que a posição de Trump sobre a NATO é apenas um dos argumentos que o torna inapto para assumir o poder. No entanto, muitos salientam que a sua visão sobre este dossiê não é propriamente clara. “Temos de fazer tudo o que é possível para recolher informações na Europa, no Médio Oriente. Ou seja, temos de trabalhar mais de perto com os nossos aliados. E isso é algo que Donald Trump descura completamente. Nós trabalhamos contra o terrorismo no seio da NATO, que é a mais antiga aliança militar da história mundial”, salientou a candidata democrata.

O Fundo Marshall, que emanou do famoso plano de recuperação económica europeia no pós-guerra, mantém atividades de cooperação. Sudha David-Wilp é a vice-diretora em Berlim: “Trump assumiu pontos de vista que são radicais. As pessoas têm noção disso. Mas também sabemos que, se Hillary Clinton se tornar presidente, vai também haver mudanças relativamente à questão da contribuição financeira dos países europeus para a segurança coletiva da NATO e uma maior responsabilização perante os desafios globais. Diria, portanto, que o que se espera é que as coisas sejam diferentes”.

Questionar a “razão de ser” da NATO, um organismo militar emanado de um conflito mundial, acabou por abrir outros debates aos quais as eleições americanas não deverão pôr cobro.

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